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Boris Johnson rejeita segundo referendo sobre independência da Escócia

Há cinco anos, 55% dos escoceses escolheram ficar no Reino Unido, mas separatistas dizem que Brexit mudou o cenário

Por Da Redação - 13 dez 2019, 19h10

Vitorioso nas eleições de quinta-feira 12 no Reino Unido, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, saiu a apagar o primeiro incêndio de sua conquista nas urnas: com veemência, disse nesta sexta-feira, 13, ser contrário um segundo referendo sobre a independência da Escócia. Assim como os conservadores, o Partido Nacionalista Escocês (SNP, na sigla em inglês) também se fortaleceu nas urnas e prometeu uma nova proposta de separação.

Em telefonema à premiê escocesa e líder do partido, Nicola Sturgeon, Johnson teria dito que possui um “compromisso inquebrável com o fortalecimento da união”, segundo um porta-voz de Downing Street.

Durante uma coletiva de imprensa após sua vitória, ele ecoou um pedido de conciliação: “Vamos nos unir e subir de nível, juntando todo esse incrível Reino Unido – Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte, liberando o potencial de todo o país”, disse.

Mas Sturgeon já havia também dado seu recado. “Boris Johnson pode ter um mandato para tirar a Inglaterra da União Europeia. Ele enfaticamente não tem um mandato para tirar a Escócia da União Europeia. A Escócia deve ter uma escolha sobre o nosso próprio futuro”, disse a líder separatista à imprensa.

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O principal tópico de insatisfação de Sturgeon está na inevitabilidade de o Brexit ocorrer, provavelmente em 31 de janeiro de 2020, dada a eleição e a vantagem de Johnson no Parlamento. A líder escocesa se opõe à retirada do Reino Unido da União Europeia e não esconde sua prioridade ao segundo. “Eu não pretendo acreditar que cada pessoa que votou no SNP vai necessariamente dar apoio à independência, mas houve um forte endosso nesta eleição para a Escócia poder decidir sobre seu próprio futuro, para não termos que aturar um governo dos conservadores, no qual não votamos, e não termos que aceitar uma vida fora da União Europeia”, disse.

Em 2014, 55% dos escoceses consultados escolheram permanecer no Reino Unido, mas Sturgeon argumenta que o Brexit mudou as circunstâncias políticas, motivo pelo qual pretende realizar uma nova votação.

O Partido Nacionalista Escocês obteve 48 das 59 cadeiras reservadas para a Escócia no Parlamento britânico nas eleições de quinta-feira, 14 a mais que na última eleição. O premiê britânico, que conquistou 364 das 630 cadeiras (38 a mais do que as 326 necessárias para governar), acredita que “o resultado do referendo de 2014 foi decisivo e deve ser respeitado”.

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