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Bombardeios israelenses contra Faixa de Gaza matam ao menos 24 palestinos

Entre os mortos há terroristas do movimento Jihad Islâmica; em dois dias foram disparados 250 foguetes contra Israel

Por Da Redação - Atualizado em 13 nov 2019, 16h20 - Publicado em 13 nov 2019, 16h09

Ao menos 24 pessoas morreram nos bombardeios de Israel contra a Faixa de Gaza iniciados nesta terça-feira 12. A ofensiva tinha como alvo o líder do movimento palestino Jihad Islâmica, Baha Abu Atta, e sua mulher. Como represália, militantes do grupo dispararam foguetes contra o território israelense.

Até o momento, foram disparados mais de 250 foguetes de Gaza em direção ao território israelense, sem provocar vítimas. De acordo com o Exército de Israel, 90% dos projéteis foram interceptados pelo sistema de defesa “Cúpula de Aço”.

Entre os palestinos mortos estão Baha Abu Atta, sua mulher e outros terroristas. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, há vítimas civis, incluindo pelo menos três crianças.

Vídeos nas redes socais mostram o momento em que os foguete são interceptados pelo sistema de defesa israelense.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou continuar com os ataques contra Gaza caso os militantes não parem os ataques com foguetes. “Eles têm uma opção: interromper os ataques, ou absorver mais e mais bombardeios. A escolha é deles”, afirmou Netanyahu em uma reunião de gabinete, antes de destacar que a intenção de Israel não é uma nova escalada em Gaza.

“Estamos decididos a lutar e a defender nosso país e, se pensam que estas salvas de foguetes vão nos enfraquecer ou fazer hesitar, estão muito equivocados”, declarou.

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O Exército de Israel afirmou que atacou diversos alvos vinculados à Jihad Islâmica e a seu braço armado, as Brigadas Al-Quds, em Gaza, incluindo um depósito de foguetes.

Do outro lado da fronteira, os israelenses que vivem em cidades próximas a Gaza não escondem o medo dos ataques com foguetes. Um projétil atingiu uma casa, outro uma fábrica e um terceiro caiu em uma via expressa pela qual passavam muitos veículos. O vídeo do momento também circula nas redes sociais.

Escolas fechadas

Escolas, universidades e várias instituições públicas tiveram que fechar suas portas em Gaza e em diversos pontos de Israel, sobretudo nas localidades situadas a um raio de 40 quilômetros da área palestina. Na cidade israelense de Tel Aviv, a apenas 70 km de Gaza, várias instituições publicas e empresas também se encontram fechadas.

Em Gaza, a vida estava paralisada, e os quase dois milhões de habitantes vivem ao ritmo dos bombardeios.

A Faixa de Gaza foi cenário de três guerras violentas contra Israel nos últimos 11 anos e é objeto de um severo bloqueio israelense por terra, mar e ar desde 2007, gerando crises de abastecimento de energia elétrica e um índice de desemprego elevado.

O grupo terrorista Hamas controla a região, mas não é o único presente no território. Entre outras organizações opositoras de Israel, está a Jihad Islâmica, que tinha como uma de suas lideranças Abu Ata, de 41 anos, que ingressara no movimento nos anos 1990 e era comandante do grupo no norte de Gaza.

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Netanyahu, ao anunciar a morte de Abu Ata, disse que o palestino “era responsável por vários ataques terroristas, disparos de foguetes contra Israel nos últimos meses” e que tinha como intenção a realização de um ataque contra Israel em um futuro próximo para sabotar a trégua com o Hamas.

Hamas e Israel protagonizaram os três confrontos armados na Faixa de Gaza desde 2008. Mas as partes chegaram a um acordo de cessar-fogo em maio deste ano após a mediação da ONU, Egito e Catar.

Apesar de o Exército israelense atribuir com frequência todos os ataques procedentes da Faixa de Gaza ao Hamas, já que o movimento islamita governa o território, desta vez ainda não atacou alvos do Hamas.

Em uma tentativa de conter a escalada de violência, o enviado da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, viajará ao Cairo para uma reunião de emergência com autoridades egípcias sobre a violência em Gaza. O Egito tem relações diplomáticas com Israel e também é influente em Gaza.

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(Com AFP)

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