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Bombardeios deixam seis mortos em Gaza e um em Israel nas últimas 24 horas

Milhares de israelenses de Ascalon e de outras localidades próximas aos territórios atingidos passaram a noite em abrigos para se proteger de novos ataques

O confronto entre Israel e os grupos armados palestinos da Faixa de Gaza continuou se agravando nas últimas horas e aumentou os temores de uma nova guerra, apesar dos esforços internacionais para evitá-la.

Pelo menos seis palestinos morreram vítimas dos ataques aéreos israelenses que começaram na tarde de segunda-feira 12. Segundo as autoridades de Gaza, duas das mortes foram registradas nesta terça-feira, 13.

Os bombardeios israelenses se intensificaram depois que milicianos palestinos lançaram centenas de foguetes contra Israel. Um trabalhador palestino que tinha visto de residência israelense morreu e dezenas de pessoas ficaram feridas.

Milhares de israelenses de Ascalon e de outras localidades próximas aos territórios atingidos passaram a noite em abrigos para se proteger de novos ataques.

Já na Faixa de Gaza, ouviu-se durante toda a noite o barulho dos ataques israelenses, que destruíram vários prédios, incluindo a sede da televisão do Hamas e os escritórios de um serviço de segurança.

O Exército israelense contabilizou cerca de 400 disparos de foguetes provenientes de Gaza desde segunda-feira. Como resposta, disse ter atacado cerca de 150 posições militares do movimento islamista Hamas e de seu aliado, a Jihad Islâmica.

A escalada, deflagrada por uma incursão frustrada das forças especiais israelenses em Gaza, no domingo, acontece após meses de tensões que fazem temer uma nova guerra, a quarta em dez anos, entre Israel e Hamas.

‘Ataque grave’

A calma relativa reinava hoje na cidade de Gaza, onde as ruas estavam desertas e as escolas, fechadas. A Faixa de Gaza tem 2 milhões de habitantes que sofrem com a guerra, a pobreza e o desemprego.

As aulas em colégios israelenses em áreas próximas ao território palestino também foram canceladas nesta terça.

O Exército israelense enviou reforços de infantaria e veículos blindados e mobilizou novas baterias antimísseis, embora ainda não tenha apelado para os reservistas, como fez em 2014.

Israel enfrenta, “sem dúvida, os disparos de foguetes mais intensos desde o verão de 2014 (…) e o ataque mais grave por parte de organizações terroristas contra as populações civis israelenses”, disse um porta-voz do Exército, o tenente-coronel Jonathan Conricus.

O Exército israelense e os grupos armados palestinos trocaram ameaças e o braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezzeldin Al-Qassam, advertiu que ampliariam seu campo de ação em função da resposta de Israel.

A escalada começou no domingo 11 com uma infiltração das forças especiais israelenses, uma operação que terminou na morte de um tenente-coronel israelense e de sete palestinos, entre eles um comandante do braço armado do Hamas e vários membros das brigadas Al-Qassam.

Em represália, as brigadas Al-Qassam feriram gravemente um soldado em um ataque com um míssil, o que deflagrou a resposta israelense.

Dezenas de israelenses ficaram levemente feridos, sobretudo, por estilhaços, segundo os serviços de emergência. A maioria dos foguetes disparados de Gaza caiu em zonas desabitadas, indicou o Exército, mas alguns atingiram edifícios.

Em Ascalon, um trabalhador palestino originário da Cisjordânia, identificado como Mahmud Abu Asba, de 48 anos, morreu. Ele tinha visto de residência israelense.

Desde 30 de março deste ano, ao menos 228 palestinos, incluindo os sete de domingo, morreram vítimas de tiros israelenses. As mortes ocorreram principalmente durante as manifestações contra o bloqueio do território por Israel, mas também em ataques israelenses em resposta aos lançamentos de foguetes.

Dois soldados israelenses morreram no mesmo período, incluindo a vítima de domingo.

Egito e ONU estão há meses tentando mediar uma paz duradoura entre Israel e Hamas.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reúne amanhã seu gabinete de segurança para tratar das questões de segurança, de acordo com a imprensa.

(Com AFP e EFE)