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Bolsonaro descarta ‘vias de fato’ e promete ir até o ‘limite do Itamaraty’

Presidente afirma que 'tudo o que não presta está na Venezuela', referindo-se à presença de generais cubanos e russos no país vizinho

Por Da Redação - Atualizado em 2 maio 2019, 17h29 - Publicado em 2 maio 2019, 17h13

O presidente Jair Bolsonaro indicou nesta quinta-feira, 2, em entrevista ao jornal Folha de S Paulo, que explorará todos os meios diplomáticos possíveis para contribuir para a derrocada do regime de Nicolás Maduro, da Venezuela. O líder brasileiro deixou claro que o Brasil não optará pela ação militar ou, como preferiu dizer, pelas “vias de fato”.

“Nós vamos até o limite do Itamaraty. Sem partir para as vias de fato, vamos fazer de tudo para restabelecer a democracia na Venezuela“, afirmou em conversa por telefone.

Bolsonaro não comentou sua conversa, na terça-feira, 30, com o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. Foi o próprio Guaidó quem comentou sobre o contato, também em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ao dizer que percebera a preocupação do brasileiro com a situação venezuelana e sua prontidão para colaborar. No mesmo dia, Guaidó convocou a população para as ruas e declarou ter apoio militar suficiente para derrubar o governo de Maduro. O alto comando, porém, manteve-se alinhado ao ditador.

Comeram tudo

O presidente brasileiro afirmou que Maduro “não manda nele mesmo” e “é vigiado o tempo todo”. Mencionou entre os que lhe dão ordens os generais de Cuba e da Rússia e ainda citou a presença na Venezuela de células do Hezbollah, grupo extremista libanês de linha xiita.

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Acabou por desqualificar Cuba e Rússia, país que tem investimentos e cooperação militar na Venezuela e que, para o Brasil, foi destino de 381 milhões de dólares em exportações entre janeiro e março deste ano. Cuba importou 88 milhões de dólares em produtos brasileiros, mas chegou a ser alvo de discussões no governo de Bolsonaro sobre um possível rompimento de relações diplomáticas.

“Tudo o que não presta está la dentro”, afirmou Bolsonaro. “É difícil a situação da Venezuela? É. Lá não tem mais cão nem gato. Já comeram tudo”, completou.

 

 

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