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Bannon volta atrás em declarações sobre filho de Trump

Ex-assessor do presidente se desculpou por não ter se posicionado antes sobre polêmico livro, publicado na semana passada

Por Da redação 8 jan 2018, 09h15

Steve Bannon, ex-estrategista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu desculpas neste domingo pelas declarações publicadas no livro polêmico em que critica o filho mais velho do chefe de Estado, Donald Trump Jr., por sua atuação na campanha eleitoral de 2016.

Bannon, antigo conselheiro de Trump, foi demitido da Casa Branca em agosto de 2017. Ele iniciou um incêndio na semana passada, com a divulgação de trechos de um livro do jornalista Michael Wolff em que diz que Donald Trump Jr. cometeu “traição” e um “ato antipatriótico” ao se reunir com uma advogada russa durante a campanha.

O ex-assessor disse em comunicado divulgado no domingo que seus comentários eram direcionados a Paul Manafort, ex-gerente de campanha de Trump, e não ao filho do presidente. Bannon afirmou também que Trump Jr. “é um patriota e um bom homem” e tem sido “implacável na defesa pelo pai”.

“Eu lamento que minha demora em responder aos relatos inexatos sobre Donald Jr. Tenha desviado a atenção dos feitos históricos do presidente em seu primeiro ano na Presidência”, disse Bannon. Ele afirmou, ainda, que seu apoio ao presidente é “inabalável”

  • Polêmicas sobre o livro têm dominado a cobertura da mídia americana há dias, colocando a Casa Branca na defensiva exatamente quando Trump e seus assessores buscavam planejar e chamar atenção para suas metas políticas para 2018.

    O livro

    O livro descreve Trump, ex-estrela de reality show que assumiu a Casa Branca há cerca de um ano, como mentalmente instável e incapacitado para lidar com as demandas de seu cargo.

    Na obra, Bannon afirma que que a reunião entre Donald Trump Jr. e uma advogada russa durante a campanha eleitoral de 2016 foi uma “traição”. O ex-assessor disse ainda que o encontro foi “antipatriótico” e que alguém deveria “avisar o FBI imediatamente”.

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    A reunião citada pelo ex-assessor aconteceu na Trump Tower, em Nova York. Além do filho de Trump, participaram do encontro seu cunhado Jared Kushner (que ainda é assessor do presidente) e seu então chefe de campanha, Paul Manafort. O objetivo dos três era obter dados comprometedores sobre a candidata democrata Hillary Clinton.

    Steve Bannon entrou na equipe de campanha de Trump semanas depois do encontro e alega que somente se inteirou dessa reunião após as eleições.

  • Em resposta às declarações de seu ex-assessor, Trump afirmou que Bannon havia “perdido a razão” e também o acusou de vazar informações falsas quando estava na Casa Branca para aparentar ser mais importante do que realmente era.

    Bannon ganhou notoriedade como editor de um site de ultradireita e é considerado próximo aos supremacistas brancos americanos.

    Tornou-se assessor de Trump em 2016 e depois das eleições ocupou um cargo-chave no governo, o de chefe de Estratégia, até sua renúncia em agosto de 2017. Desde que deixou a Casa Branca, Bannon se dedica a apoiar os candidatos mais à direita do Partido Republicano e nunca escondeu certo distanciamento pessoal do presidente Trump.

    Investigação

    Uma equipe do FBI, conduzida pelo procurador especial Robert Mueller, investiga o eventual conluio entre o comitê de campanha de Trump e funcionários russos durante a eleição presidencial de 2016, e já apresentou acusações contra Paul Manafort por falso testemunho e lavagem de dinheiro.

    (Com Reuters, AFP e Estadão Conteúdo)

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