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Autor de decapitação na França tinha vínculos com o Estado Islâmico

Segundo o promotor François Molins considerou que o atentado cometido por Yassin Salhi "corresponde exatamente às determinações do EI", ou seja, matar "infiéis"

Yassin Salhi, o francês que na sexta-feira decapitou seu chefe e atacou uma usina de gás, tinha “motivação terrorista”, apesar de alegar vingança pessoal, e também possuía vínculos com o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), afirmou nesta terça-feira a Justiça francesa. “A investigação dá a entender uma motivação terrorista no gesto de Yassin Salhi, ainda que justificado por considerações pessoais”, declarou durante uma coletiva de imprensa o promotor de Paris, François Molins, que está cuidando do caso.

A ação do motorista e entregador de 35 anos, menos de seis meses após os atentados de janeiro em Paris, reforçou a preocupação das autoridades quanto a capacidade da França de lidar com as ameaças terroristas, sendo um dos países ocidentais mais expostos em razão de seu envolvimento na luta contra movimentos jihadistas na África e no Iraque. O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, falou no domingo de uma “guerra de civilizações” liderada pela França contra a “barbárie”, contra “o terrorismo islâmico”.

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Ao contrário de Mohamed Merah, que assassinou em 2011 no sudoeste da França três militares, três crianças e um professor, e mais recentemente os irmãos Kouachi e Amédy Coulibaly, autores dos ataques de Paris em janeiro, que proclamaram vínculos com o islã radical, Yassin Salhi contestou qualquer motivação religiosa para seus crimes. Contudo, segundo o promotor de Paris, Salhi, que foi detido logo depois do ataque, havia enviado fotos da decapitação a um francês que está na Síria, com um pedido para que o EI divulgasse as imagens.

Além disso, ele considerou que o atentado cometido por Salhi “corresponde exatamente às determinações do EI”, ou seja, matar “infiéis”, declarou Molins, que comparou a tentativa de explodir a usina de gás a uma “operação suicida para virar mártir”, praticada pelos jihadistas. Segundo o promotor, Salhi mantinha contato com frequência com um francês que está na Síria, identificado apenas como ‘Younes’, e enviou a este uma selfie com a cabeça de seu chefe, que decapitou antes do ataque contra a usina, localizada perto de Lyon, no sudeste da França.

Salhi era monitorado desde 2003 pelos serviços de segurança em razão de seu radicalismo islâmico. De acordo com uma fonte próxima ao caso, ele poderia conhecer cerca de 500 pessoas que partiram da França para lutar ao lado de jihadistas. Segundo o promotor, o terrorista “fez várias viagens a Marrocos e Arábia Saudita”, em 2003 e 2004.

(Da redação)