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Atirador da Noruega diz que prisão psiquiátrica é ‘pior que a morte’

Anders Behring Breivik, que deve ser julgado no dia 16 de abril pela morte de 77 pessoas na Noruega em julho passado, disse em uma carta publicada nesta quarta-feira que ser condenado a um tratamento psiquiátrico seria o pior destino imaginável.

“Enviar um ativista político para um hospício é mais sádico e pior do que matá-lo! É um destino pior do que a morte”, escreveu o extremista de 33 anos em uma carta de 38 páginas, que teve alguns trechos publicados pelo jornal Verdens Gang (VG).

A carta tem por objetivo desacreditar, ponto por ponto, um relatório preparado por dois peritos psiquiátricos, Synne Soerheim e Torgeir Husby, que concluíram no ano passado que Behring Breivik sofria de esquizofrenia paranóide e era, portanto, criminalmente louco.

Se o júri do tribunal de Oslo chegar à mesma conclusão no fim de seu julgamento de 10 semanas, o assassino confesso será condenado a ficar em um centro psiquiátrico fechado, possivelmente para o resto da vida, em vez da prisão.

Behring Breivik, que alegou estar em uma cruzada contra o multiculturalismo e a “invasão muçulmana” da Europa, quer ser declarado mentalmente saudável, de acordo com seus advogados, de modo a não prejudicar a mensagem política apresentada em seu manifesto de 1.500 páginas publicado pouco antes dos ataques de 22 de julho.

“Devo admitir honestamente que esta é a pior coisa que poderia acontecer comigo, já que seria a suprema humilhação”, escreveu em sua carta desta quarta-feira.

Behring Breivik afirma na carta ter encontrado mais de “200 mentiras” no relatório psiquiátrico, que variam, de acordo com o jornal, de pequenos erros de linguagem a parágrafos inteiros que o extremista afirma que Soerheim e Husby criaram.

“O problema é que 80% do conteúdo das 13 conversas (que os especialistas tiveram com Breivik Behring e nas quais baseiam a sua conclusão) foi completamente inventado”, escreveu na carta.

Invertendo os papéis, o assassino confesso questionou se Soerheim e Husby podem ter ficado tão traumatizados com os ataques que não conseguem ser objetivos e devem ser considerados incapazes de avaliar seu estado mental.

“As ações muito brutais, e para eles incompreensíveis, combinadas com as nossas diferenças ideológicas de opinião incompatíveis, resultaram em uma conclusão que muito provavelmente surgiu como resultado de emoções fora de controle, onde a falta de uma abordagem pragmática era tudo, menos completa”, escreveu.

“Seu objetivo era claramente criar as premissas que sustentam o diagnóstico a que chegaram antes”, afirmou.

A conclusão dos peritos psiquiátricos divulgada no ano passado provocou protestos na Noruega, e o tribunal de Oslo ordenou uma segunda avaliação por dois novos peritos, que devem apresentar suas conclusões no dia 10 de abril, menos de uma semana antes do julgamento.

No dia 22 de julho, Breivik Behring detonou um carro-bomba em frente a prédios do governo em Oslo, matando oito pessoas.

Ele então se dirigiu à ilha de Utoeya, cerca de 40 km a noroeste de Oslo, e, vestido como um oficial de polícia, passou mais de uma hora atirando e matando metodicamente outras 69 pessoas, principalmente adolescentes, que participavam de um acampamento de verão organizado pela ala jovem do Partido Trabalhista.

“Eu, obviamente, sabia distinguir o certo do errado, mas agi instintivamente,” disse Behring Breivik em sua carta.