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Após tiroteio, polícia egípcia retira manifestantes de mesquita

Partidários de Mohamed Mursi passaram a noite em uma mesquita no Cairo após os confrontos desta sexta-feira, que deixaram mais de 170 mortos

A polícia egípcia retirou à força e em meio a um intenso tiroteio, neste sábado, os centenas de manifestantes islamitas que permaneceram durante várias horas dentro da mesquita Al-Fateh, localizada na praça de Ramsés, no centro do Cairo. A informação foi dada pelo porta-voz do Ministério do Interior, Hani Abdel-Latif. Os manifestantes haviam desrespeitado o toque de recolher e se escondido dentro da mesquita durante a noite de sexta-feira, dia em que os confrontos entre as forças de segurança do Egito e os manifestantes contrários à deposição do presidente Mohamed Mursi, membro da Irmandade Mulçumana, causaram 173 mortes em todo o país – 95 delas na capital.

Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.
  6. • O Exército derrubou o presidente no dia 3 de julho, e anunciou a formação de um governo de transição, que não foi aceito pelos membros da Irmandade Muçulmana.

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Segundo a CNN, a polícia egípcia chegou a pedir que os manifestantes deixassem a mesquita. No entanto, os simpatizantes da Irmandade Mulçumana, mesmo estando sem comida ou suprimentos médicos, rejeitaram o pedido com medo de sofrer represálias mais violentas. A situação piorou quando as forças de segurança começaram a atirar contra a mesquita, alegando que os manifestantes dispararam tiros contra a polícia. A polícia conseguiu tirar todos os manifestantes da mesquita e, no final da tarde deste sábado, não se ouvia mais tiros no Cairo.

Mais cedo, o Ministério do Interior do Egito havia informado que as forças de segurança detiveram 1.004 membros da Irmandade Muçulmana neste sábado, além de terem apreendido uma considerável quantidade de armas e munição. Em comunicado, o governo afirmou que as detenções foram realizadas em todas as províncias do país, em operações para fazer frente às “tentativas terroristas de elementos da Irmandade Muçulmana, que deseja empurrar o país para um ciclo de violência”.

Este foi o quarto dia de confrontos violentos entre a polícia egípcia e os partidários de Mursi, que tiveram início na última quarta-feira, quando mais de 600 pessoas morreram, segundo o Ministério da Saúde do Egito.

(Com AFP)