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Após retirar pedido de imunidade, Netanyahu é indiciado oficialmente

Primeiro-ministro tentava conseguir imunidade no Knesset, mas desistiu de processo por falta de apoio no Legislativo

Por Da Redação - Atualizado em 28 jan 2020, 10h30 - Publicado em 28 jan 2020, 09h50

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, foi oficialmente indiciado por suborno, fraude e quebra de confiança pelo procurador-geral Avichai Mendelblit nesta terça-feira, 28. A denúncia foi protocolada no Judiciário de Jerusalém horas após o premiê retirar o seu pedido de imunidade apresentado ao Parlamento.

“Informei ao presidente do Parlamento que retirei o pedido de imunidade. Mais tarde, desmentirei as acusações ridículas (…) formuladas contra mim”, afirmou em um comunicado o chefe de Governo, acusado de corrupção em três casos diferentes.

“Mas no momento não deixarei que meus adversários políticos utilizem isto para ofuscar o processo histórico que estou liderando”, disse Netanyahu em Washington, onde nesta terça será apresentado um plano de paz americano para o Oriente Médio.

O primeiro-ministro, que na segunda-feira se reuniu com o presidente americano Donald Trump, considerou que o projeto americano é “histórico”. O texto, porém, já foi rejeitado pelos palestinos, que romperam relações com o governo Trump após várias decisões favoráveis a Israel.

O plano pode servir de apoio a Netanyahu em sua campanha para as eleições legislativas de 2 de março, que decidirão seu futuro político.

O pedido de imunidade havia sido fortemente criticado pelos meios de comunicação e tinha poucas chances de ter sucesso, uma vez que ele não dispõe de maioria no Parlamento. Em janeiro, Netanyahu solicitou ao Knesset que concedesse imunidade após as legislativas de março, confiando em uma vitória nas urnas que o proteja da justiça.

A lei israelense determina que um ministro indiciado deve renunciar, mas isso não se aplica ao primeiro-ministro. Embora ele possa permanecer no cargo, Netanyahu não tem imunidade na justiça.

Os partidos da oposição, no entanto, convenceram a maioria dos deputados a examinar sua demanda por imunidade antes das eleições, uma votação crucial que o primeiro-ministro corria o risco de perder.

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Em novembro de 2019, o procurador-geral Avichai Mendelblit anunciou o indiciamento de Netanyahu por corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos, porém não pôde protocolar a denúncia oficialmente porque o pedido de imunidade ainda não havia sido julgado pelos parlamentares. Horas após a decisão do político de abandonar sua solicitação, Mendelblit oficializou a acusação.

Netanyahu foi indiciado por envolvimento em três casos. Em dois deles é acusado de ter trocado favores por coberturas favoráveis na imprensa local, e no terceiro de ter recebido presentes no valor de 700.000 shekels (cerca de 853.000 reais) de um produtor de Hollywood.

As novas acusações podem impactar as eleições de 2 de março e as negociações para a formação de um novo governo e escolha do próximo premiê.

‘Jogo prejudicial’

O chefe de Governo, de 70 anos, rejeita as acusações e denuncia um “golpe de Estado” jurídico para encerrar sua carreira, a mais longa da história de Israel com quase 14 anos no poder, os últimos dez anos sem interrupção.

“Como não tive um julgamento justo, todas as regras do Knesset [Parlamento israelense] foram ultrajadas (…) decidi não deixar esse jogo prejudicial continuar”, disse Netanyahu nesta terça-feira.

Seu principal rival nas legislativas, o ex-chefe militar Benny Gantz, voltou de Washington, onde conversou com Donald Trump sobre seu projeto para o Oriente Médio, para participar da sessão parlamentar que iria estudar e votar o processo de imunidade.

“Os cidadãos israelenses têm uma escolha clara: um primeiro-ministro que trabalhará para eles ou um primeiro-ministro ocupado consigo mesmo”, disse Gantz nesta terça. “Ninguém pode administrar um país e administrar três graves acusações de corrupção, malversação e abuso de confiança ao mesmo tempo”, acrescentou.

“O réu Netanyahu precisa abandonar imediatamente a política, lidar com seus problemas criminais e deixar que a gente se ocupe de Israel”, disse Nitzan Horowitz, chefe do partido de esquerda Meretz.

(Com AFP)

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