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Após bloqueio, observadores da ONU são alvos de tiro

Disparo contra veículo, que seguia para a cidade de Morek, não deixou feridos

Por Da Redação 7 jun 2012, 12h05

Um dos veículos dos observadores da ONU foi alvo de tiro nesta quinta-feira quando estava a caminho da cidade de Morek, pouco depois que foi impedido de entrar na aldeia de Al Qubeir, palco de um massacre no dia anterior que deixou dezenas de feridos. A informação foi confirmada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que classificou a última matança de “chocante e inadmissível”. Neste novo ataque não houve vítimas.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Ban anunciou o ataque contra os observadores da ONU em um discurso na Assembleia Geral, no qual afirmou que o presidente sírio, Bashar Assad, “perdeu toda a sua legitimidade”. “Há meses é evidente que o presidente Bashar Assad perdeu toda a legitimidade”, afirmou, pedindo a Damasco que “aplique imediatamente e sem condições o plano” de paz do mediador da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan. Ban ressaltou ainda “o perigo de uma guerra civil total” na Síria, considerando que a situação no país “continua a se deteriorar”. Ele pediu também “a todos os países membros (da ONU) que pressionem” Damasco. “É o momento de a comunidade internacional agir de forma conjunta”, destacou.

Uma fonte da organização disse que os observadores já estão em Morek, e que na sexta-feira devem tentar novamente entrar em Al Qubeir, a 40 quilômetros de distância. O chefe da missão dos observadores da ONU na Síria (UNSMIS), general Robert Mood, queixou-se de que eles foram bloqueados em vários postos de controle do Exército e por vários civis, e que receberam advertências de que corriam risco de vida. A imprensa estatal síria negou essa versão e assegurou que os observadores puderam ir a essa região e que as autoridades lhes deram todas as facilidades.

Massacre – Na quarta-feira, os grupos opositores sírios denunciaram que várias dezenas de pessoas morreram em Al Qubeir em um novo massacre feito pelas forças leais ao ditador Bashar Assad. A oposição fala em cem mortos no atentado, mas o regime sírio nega qualquer envolvimento. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) calcula que pelo menos 55 pessoas foram mortas, incluindo 18 mulheres e crianças.

A ONU conta com 300 observadores na Síria desde abril para verificar o cumprimento do plano de paz do mediador internacional Kofi Annan, com o objetivo de supervisionar a aplicação de um cessar-fogo, constantemente ignorado. Está previsto que o ex-secretário-geral das Nações Unidas apresente ainda nesta quinta ao Conselho de Segurança da entidade novas propostas para revitalizar sua iniciativa, abalada devido aos contínuos casos de violência no país.

(Com agência EFE)

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