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Annan encontra Assad em busca de saída para conflito sírio

Enviado da ONU propõe governo transitório com nomes do regime e oposição

Por Da Redação 9 jul 2012, 05h30

O enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, se reúne nesta segunda-feira em Damasco com o ditador sírio, Bashar Assad, para tentar encontrar uma solução para o conflito que se arrasta há 16 meses entre forças a favor e contra o regime.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Annan desembarcou na capital síria na noite deste domingo, um dia depois de admitir, em entrevista ao jornal francês Le Monde, o fracasso do plano que previa um cessar-fogo desde 12 de abril. Desta vez, o ex-secretário-geral da ONU tentará convencer Assad a aceitar a nova iniciativa lançada pela Força-Tarefa para a Síria – que compreende China, Rússia, EUA, França, Grã-Bretanha, Turquia, Liga Árabe, ONU e União Europeia.

Esta nova proposta prevê a formação de um governo de transição que inclui representantes do regime sírio e da oposição. No sábado, Annan pediu que os esforços internacionais para a resolução do conflito na Síria não se restrinjam à Rússia, principal aliada do regime de Assad, mas também inclua outros países com influência na questão, como o Irã – a ideia, no entanto, encontra resistência por parte de americanos e europeus, que mantêm restrições ao envolvimento iraniado devido à pressão exercida dobre o controverso programa nuclear de Teerã.

A nova visita de Kofi Annan à Síria, a terceira desde o início da crise, ocorre após a conferência ‘Amigos da Síria’, realizada semana passada em Paris, onde os 107 participantes expressaram seu apoio à missão de Annan e pediram que o Conselho de Segurança da ONU eleve a pressão sobre o regime de Damasco.

Resistência – Em entrevista ao canal alemão Das Erste, Bashar Assad criticou os Estados Unidos e outras potências ocidentais, afirmando que eles são o “obstáculo maior” para resolver o conflito. Além disso, o ditador sírio acusou tais países de não desejarem o sucesso do plano de paz e de oferecerem apoio político, armas e dinheiro para grupos terroristas.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu neste domingo que as forças de oposição sírias estão cada vez mais capazes de de defender. “Quanto mais cedo acabe a violência e comece um processo de transição política, não só menos pessoas vão morrer, mas haverá mais probabilidades de salvar o estado sírio de um ataque catastrófico, que seria perigoso não só para a Síria, mas para toda a região”, afirmou Hillary em Tóquio, no Japão. Um dia antes, ela afirmou que “os dias do regime sírio estão contados”.

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