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Aliado de Trump, deputado é preso por usar informação privilegiada

Chris Collins deve ser investigado também pela Comissão de Ética da Câmara; seu esquema evitou prejuízo de 768 mil dólares para nove pessoas

Aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o deputado federal republicano Christopher Collins foi preso nesta quarta-feira por ter usado informações privilegiadas na tomada de decisão sobre a venda de ações de uma empresa de biotecnologia da Austrália, a Innate Immunotherapeutics (“Innate”), informou o FBI.

Collins foi primeiro congressista a apoiar a candidatura de Trump à Casa Branca em 2016.  Ele fez parte da diretoria da empresa e detinha 16,8% de seu capital acionário. Já seu filho, Cameron, tinha 2,3% das ações. Também fazia parte do esquema Stephen Zarsky, pai da namorada de Cameron.

O procurador federal para o Distrito Sul de Nova York, Geoffrey Berman, deverá anunciar as acusações contra Collins à imprensa ainda hoje. Em princípio, eles responderiam à Justiça por fraude de valores mobiliários, fraude eletrônica, conspiração para cometer fraude eletrônica e prestação de depoimentos falsos ao FBI.

As atividades da empresa estão em investigação também pelo Escritório de Ética do Congresso americano, informou o portal de notícias Politico.

Com ações cotadas nas Bolsas de Sydney e de Nova York, a empresa australiana se dedica principalmente à pesquisa e ao desenvolvimento de um remédio chamado MIS416, para tratar da esclerose múltipla secundária progressiva. O estudo é potencialmente muito lucrativo, porque quase não há medicamento para essa doença.

Na ata de acusação, o governo garante que, quando Christopher soube do fracasso do teste sobre a eficácia clínica do MIS416, em junho de 2017, passou essa informação para seu filho e Zarkis. Eles venderam suas ações antes da divulgação do resultado e evitaram o prejuízo que teriam com a queda do valor das ações.

Após o anúncio do fracasso do teste, em junho do ano passado, o preço da ação da Innate Immunotherapeutis despencou 92%, caindo de 17,7 dólares australianos em janeiro de 2017 para apenas cinco centavos. Segundo a Procuradoria, os três acusados e outras seis pessoas alertadas por eles evitaram mais de 768 mil dólares em perdas.

Os advogados do congressista republicano disseram que responderão nos tribunais às acusações feitas contra seu cliente e assinalaram que exercerão “uma forte defesa para limpar seu nome”.

“Responderemos às acusações apresentadas contra o congressista Collins na Justiça e apresentaremos uma vigorosa defesa para limpar seu bom nome”, disseram os advogados Jonathan Barr e Jonathan New na conta de seu cliente no Twitter.

Segundo eles, Collins não tirou proveito da situação, já que não fez por si mesmo qualquer transação financeira da Innate Therapeutics. Eles disseram estar confiantes que seu cliente “será completamente inocentado” das acusações.

(Com AFP e EFE)