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Alemães começam a votar e devem reeleger Merkel

Favorita no pleito, primeira-ministra encerrou campanha de reeleição neste sábado pedindo a seus eleitores que concedam a ela um mandato forte

Por Da Redação - 22 set 2013, 05h02

Os colégios eleitorais na Alemanha abriram na manhã deste domingo às 8 horas (3 horas em Brasília) para as eleições parlamentares que vão orientar a formação de um novo governo. Estão aptos a votar mais de 61,8 milhões de alemães maiores de 18 anos – cerca de três milhões irão exercer o direito pela primeira vez, enquanto 20% têm mais de 70 anos.

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As urnas fecharão às 18 horas (13 horas em Brasília), quando serão divulgados os resultados das pesquisas de boca de urna. A chanceler Angela Merkel, que tenta continuar no cargo e manter a coalizão que a sustenta, votará em Berlim. Já seu principal rival, o candidato social-democrata Peer Steinbrück, votará em Bonn.

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Merkel encerrou a campanha de reeleição neste sábado pedindo a seus eleitores que concedam a ela um mandato forte. Ela é a favorita para seguir à frente do Executivo. Com um terço dos eleitores ainda indecisos segundo os institutos de pesquisa, e o emergente partido Alternativa para a Alemanha (AfD) mostrando impaciência com os pacotes de auxílio financeiro da zona do euro, a primeira-ministra corre o risco de cumprir seu terceiro mandato em uma estranha coalizão de direita-esquerda.

Aclamada em seu último comício por 4 000 militantes de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), a chanceler pediu o novo mandato para “seguir servindo nos próximos quatro anos a Alemanha, um país respeitado na Europa que defende seus interesses, mas também é amigo de muitos países”.

“Muitas pessoas não vão se decidir até o último minuto. Agora é hora de alcançar todo eleitor indeciso e conseguir o seu apoio”, afirmou Merkel a seus partidários em Berlim, antes de voar para o seu colégio eleitoral, na costa báltica, para um último ato da campanha.

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Alternativa – No discurso, a chanceler não citou o Alternativa para a Alemanha (AfD), legenda criada em fevereiro que ascendeu nos últimos sete meses e que defende a saída da Alemanha da zona do euro e a restauração do marco alemão. O rápido crescimento do AfD nas pesquisas forçou o CDU a mudar de tática na última hora.

Depois de ter ignorado o rival, o partido recrutou nesta semana o respeitado ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, para atacar a legenda, classificando-a como “perigosa” para a economia alemã. O resultado alcançado pelo AfD é uma das expectativas da eleição que mais dá espaço para surpresas.

Já Merkel passou metade de seu discurso defendendo a União Europeia, que tinha sido largamente ignorada na campanha pelo fato do partido União Democrata-Cristã e o Partido Social Democrata (SPD), de oposição, concordarem em grande parte sobre a melhor forma de combater a crise.

Disputa acirrada – Segundo uma pesquisa divulgada neste sábado, os conservadores de Merkel (CDU e o partido bávaro CSU) obteriam 39% dos votos e o partido liberal FDP 6%. A oposição social-democrata do SPD alcançaria 26%, e seus aliados Verdes 9%. A esquerda radical Die Linke também conseguiria 9%.

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Somando votos, a coalizão de Merkel (CDU, CSU e FDP) obteria 45%, um ponto a mais que a oposição (SPD, Verdes e esquerda radical), com 44%. No entanto, o SPD descartou formar governo com a esquerda radical.

“O suspense persiste até o fim. A corrida entre partidos do poder e partidos da oposição é muito acirrada”, disse o chefe do instituto Emnid, que fez a pesquisa, Klaus-Peter Schoppner. O atual parceiro de Merkel, o FDP (Partido Liberal), uma agremiação apoiada pelo empresariado do país, vem encolhendo nos últimos anos e corre o risco de não conseguir os 5% mínimos para entrar no Bundestag, o parlamento alemão. Em 2009, o FDP conseguiu 14,6% dos votos, mas desta vez pesquisas o mostram no limite do mínimo necessário.

Uma maioria governista é formada a partir de 45,5% dos votos, e, como raramente um partido consegue alcançar esse patamar, os governos alemães acabam sendo formados por meio de coalizões.

A sangria de votos do FDP pode levar Merkel a ter que se voltar justamente para o Partido Social-Democrata (SPD) no plano nacional, e voltar a formar uma chamada Grosse Koalition – como os alemães chamam as coalizações entre os grandes partidos do país – como a que existiu entre 2005 e 2009. Há vários dias, o cenário mais citado nos jornais é justamente o de uma grande coalizão entre os conservadores de Merkel e os sociais-democratas.

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(Com agência EFE)

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