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Agência da Guatemala culpa população por tragédia com Vulcão de Fogo

Em texto logo depois apagado, agência oficial de notícias AGN afirmou que moradores locais poderiam ter fugido a tempo; erupção já deixou 109 mortos

Por Da Redação - 8 Jun 2018, 10h17

A Agência Guatemalteca de Notícias (AGN), órgão oficial de informações do governo da Guatemala, culpou na quinta-feira (7) os moradores das zonas afetadas pela erupção do Vulcão de Fogo por não terem deixado o local a tempo. Após inúmeras críticas nas redes sociais, a agência apagou o texto e pediu desculpas.

Na nota intitulada “Erupção Vulcão de Fogo: Moradores que confiaram e preferiram não ser evacuados, asseguram sobreviventes”, publicada por volta das 18h28 (hora local), a AGN citava dois sobreviventes da comunidade San Miguel Los Lotes da trágica erupção que alegaram que seus vizinhos “confiaram”. Um dos entrevistados, José Luis Borrayo, disse para a mídia oficial que ao lado de sua família “conseguiu escapar a bordo de uma motocicleta” e embora “tenham passado avisando, houve gente que não quis sair”.

O segundo sobrevivente citado, Héctor Gerardo López, afirmou que estavam acostumados aos tremores e as cinzas “pois a lava chegava apenas a certo ponto, dali não passava” e reiterou que assim como ele, “muitas pessoas nunca pensaram que aconteceria isso”.

Após a publicação nas redes sociais, onde mencionou o título da nota, a agência eliminou o conteúdo da sua página após uma hora, pelas inúmeras críticas e comentários negativos. Ela também publicou um pedido de desculpas em seu site.

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“A Agência Guatemalteca de Notícias (AGN) pede desculpas pelo conteúdo de uma nota informativa divulgada neste dia, que não respondeu aos sinais de solidariedade, luto e preocupação expressos pelo governo”, afirma a nota. “A AGN assume total responsabilidade por este conteúdo e reitera suas desculpas aos leitores por esta notícia, que já foi removida de seu site e de suas redes sociais”.

Número de mortos sobe para 109

O número de mortos pela erupção do Vulcão de Fogo, ocorrida no último domingo (3), subiu para 109, após outros 10 corpos terem sido encontrados, informou na quinta-feira o Instituto Nacional de Ciências Forenses do país centro-americano (Inacif).

O porta-voz da Coordenação Nacional para a Redução de Desastres (Conred), David de León, disse que os trabalhos de resgate foram suspensos devido às más condições meteorológicas na região.

O Inacif também informou que conseguiu identificar os corpos de mais duas pessoas – uma criança, de 8 anos, e uma mulher, ainda sem a idade determinada. Além deles, já haviam sido 28 corpos identificados.

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Segundo o órgão, mais de 100 pessoas solicitaram a realização de exames de sangue para facilitar o trabalho dos legistas e 225 foram ao Inacif em busca de desaparecidos após a erupção do vulcão.

O trabalho de resgate foi suspenso devido à ameaça potencial do desprendimento a qualquer momento de sedimentos das ladeiras, podendo ocasionar outra tragédia, já que o vulcão se mantém ativo lançando colunas de cinzas.

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Além disso, pode voltar a gerar fluxos de gases tóxicos, pedras e material vulcânico, que caem a grande velocidade e arrasam tudo em sua passagem. Uma dessas avalanches arrasou com comunidades da cidade de Escuintla, que ficaram sepultadas sob toneladas de escombros.

Apesar de as autoridades guatemaltecas não terem pedido ajuda oficialmente, muitos países se dispuseram a fazê-lo, como os Estados Unidos que enviaram um avião da Força Aérea para transportar seis crianças guatemaltecas que precisam de tratamento para queimaduras.

O vulcão, com 3.763 metros de altura e situado 35 km a sudeste da capital, registrou no domingo sua erupção mais forte nas últimas quatro décadas. Tanto a erupção quanto as constantes atividades vulcânicas subsequentes afetaram 1,7 milhão de pessoas, deixou 12.400 desabrigados, 197 desaparecidas e 58 feridas.

(Com EFE e AFP)

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