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Acnur e OIM fazem apelo à América do Sul por acolhida de venezuelanos

Organismos internacionais se preocupam com restrições ao ingresso dos imigrantes nos países da região; não há menção direta ao Brasil

Cuidadosos para não entrar em atrito com os países de acolhida, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) fizeram nesta quinta-feira 23 um apelo conjunto à América do Sul por maior apoio na recepção dos venezuelanos. Dos 2,3 milhões de cidadãos da Venezuela no exterior, 90% estão abrigados em países da região.

O alto comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, e o diretor-geral da OIM, William Lacy Swing, expressaram preocupação com recentes medidas adotadas por países da região, como a exigência de passaporte para o ingresso no Equador e no Peru.

Na nota divulgada pelo Acnur, não houve menção ao Brasil. No último sábado, houve graves incidentes envolvendo imigrantes venezuelanos em Pacaraima (RR), na fronteira entre os dois países. O governo de Roraima tem insistentemente tentado fechar a fronteira ao ingresso dos venezuelanos.

“Reconhecemos os crescentes desafios associados à chegada em grande escala dos venezuelanos. É crítico que todas as novas medidas adotadas continuem a permitir que aqueles que necessitam de proteção internacional tenham acesso à segurança e solicitação de refúgio”, reforçou Grandi.

“Elogiamos os esforços já feitos pelos países de acolhida para fornecer segurança, apoio e assistência aos venezuelanos. Acreditamos que essas demonstrações de solidariedade continuarão no futuro”, disse o diretor-geral da OIM.

O Acnur alertou para sua particular preocupação com os mais vulneráveis – as crianças, adolescentes, mulheres e pessoas que tentam se reunir com suas famílias, bem como os menores desacompanhados e separados de seus parentes. Essas pessoas não conseguirão cumprir os requisitos para a documentação no país de acolhida e estarão expostas aos riscos de exploração, tráfico e violência.

Para a agência da ONU, há necessidade urgente de aumentar o engajamento e a solidariedade internacional aos planos de resposta dos governos dos países de acolhida. Segundo os compromissos da Declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes, é necessário o apoio contínuo e previsível por parte da comunidade internacional para compartilhar responsabilidades de uma forma mais justa e complementar os esforços dos países de acolhimento.