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A caçada aos terroristas

Autoridades europeias trabalham em conjunto para identificar as células do grupo terrorista Estado Islâmico envolvidas nos atentados de Paris

As autoridades europeias começaram a identificar os envolvidos nos atentados de Paris. Os investigadores descobriram que pelo menos um dos terroristas era francês que morava em Bruxelas, na Bélgica. Os procuradores belgas, que já autorizaram uma operação de busca e apreensão de diversos suspeitos de envolvimentos com grupos extremistas, trabalham com na linha de que o país foi uma das bases de planejamento dos ataques.

Os três terroristas identificados pelos belgas se mataram com explosivos, depois de metralhar suas vítimas nos ataques de sexta-feira à noite, em Paris. Os belgas foram acionados depois que dois automóveis registrados na Bélgica foram encontrados pelos investigadores franceses. Um próximo à casa de espetáculos Bataclan e o outro perto do cemitério parisiense Père Lachaise.

Até agora, a investigação apontou que esses dois veículos foram alugados no início da semana passada, na região de Bruxelas. “Uma pessoa que alugou um dos veículos foi interpelada em Cambrai (norte da França), em 14 de novembro às 9h10, na estrada A2, em direção à Bélgica. Ontem, o carro foi interceptado em Molenbeek-Saint-Jean, no final da tarde”, explicou a procuradoria.

No total, sete pessoas já foram presas, na Bélgica, por conexão com os atentados. A polícia belga também realizou buscas em Molenbeek, no sábado. As peças apreendidas estão sendo analisadas. As autoridades judiciárias belgas e francesas criaram uma equipe de investigação conjunta, para acelerar o intercâmbio de informações.

Brian de Mulder, jihadista belga de mãe brasileira Brian de Mulder, jihadista belga de mãe brasileira

Brian de Mulder, jihadista belga de mãe brasileira (/)

O bairro de Molenbeek, onde viviam os jihadistas é conhecido por ser o epicentro do radicalismo islâmico na Bélgica. A região é o berço do movimento Sharia4Belgium – uma organização que defende a aplicação de leis islâmicas na Bélgicas, a partir de uma leitura literal dos preceitos do Corão. Em fevereiro de 2015 o tribunal belga condenou a 12 anos de prisão Fouad Belkacem, líder do grupo radical e considerou que a organização era terrorista. O Sharia4Belgium se dedica a angariar jovens para lutar na Síria e no Iraque. No total 46 pessoas foram acusadas de pertencer ao grupo, naquele que foi o maior julgamento anti-terrorismo na Bélgica. Entre os quais Brian de Mulder, o filho de uma brasileira que aderiu ao Estado Islâmico e passou a se chamar Abu Qassem Brazili.

Em Paris, os policiais localizaram um veículo provavelmente utilizado para fuga de um ou mais terroristas envolvidos nos ataques de sexta-feira. No interior do veículo foram encontrados vários fuzis AK-47 – modelo de arma usada nos atentados de sexta-feira. O carro é idêntico ao descrito por testemunhas que viram um dos terroristas fugir. Sete familiares do suicida Omar Ismail Mostefai – um dos franceses que vivia na Bélgica e que morreu no atentado suicida na casa de Bataclan, onde 89 pessoas foram assassinadas – foram ouvidos pelas autoridades.

A Sérvia identificou que, um dos autores dos atentados de Paris, entrou no país aproveitando a onda migratória que já levou para Europa mais de 500.000 refugiados, que chegaram pelo Mar Mediterrâneo. Ahamed Almuhamed entrou no país no último dia 7 de outubro e pediu asilo, segundo o Ministério do Interior da Sérvia. Apenas quatro dias depois de fazer a travessia da Turquia para Grécia, no dia 3 de outubro.

Em setembro, as autoridades europeias receberam um alerta dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, que terroristas do Isis desembarcariam no continente disfarçados de refugiados. Estima-se que atualmente 15.000 jihadistas estrangeiros estão na Síria, sendo que pelos menos 2.000 são ocidentais. A multiplicidade de dificulta a identificação dos terroristas potenciais.

Atirador foi contido por passageiros Atirador foi contido por passageiros

Atirador foi contido por passageiros (/)

Dois militares americanos, que estavam de férias na Europa frustram uma tentativa de atentado no trem que seguia de Amsterdã para Paris, em agosto. O marroquino Ayoub El Kahzani, foi preso depois de ser imobilizado pelos americanos. El Kahzani tinha em seu poder um fuzil e explosivos.

As autoridades libanesas também ingressaram na caçada terrorista. Beirute informou que sete sírios e dois libaneses suspeitos de envolvimento no planejamento de ataques terroristas ocorridos em Beirute, no mesmo dia em que foi registrada a onda de ataques em Paris.

O ataque do Isis resultou na morte de 43 pessoas e feriu mais de 200 depois de um ataque suicida em uma área controlada pelo grupo xiita Hezbollah.

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Da Redação com agências