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São Paulo não consegue milagre e está fora da Libertadores

Precisando de vitória por dois gols de diferença, equipe brasileira perde de novo do Atlético Nacional, da Colômbia, e dá adeus ao sonho do tetra

A eliminação do São Paulo na Copa Libertadores poderia ter vindo apenas com elogios à valentia do time, mas será mais lembrada pelo descontrole emocional nos minutos finais. A equipe teve um começo de atuação fantástica contra o Atlético Nacional, em Medellín, até falhar, levar a virada e ter dois jogadores expulsos após a equipe colombiana garantir o 2 a 1 no placar, na noite desta quarta-feira, na Colômbia.

O adeus na semifinal da Libertadores acabou selado aos 30 minutos da etapa final. Foi quando Borja converteu um pênalti. Revoltados com a arbitragem, Lugano e Wesley acabaram expulsos. Foram dez minutos de paralisação até o jogo ser retomado. O saldo da confusão minou a chance do time.

O torcedor do São Paulo terá muito a lamentar sobre a eliminação na Libertadores. Poderá reclamar antes da semifinal, da má sorte pelos desfalques ou até se queixar de decisões da arbitragem nos dois jogos contra o Atlético. Se tem um fator que não merece ressalvas foi a entrega dos jogadores, pelo menos até o descontrole emocional no segundo tempo.

O então criticado time, que em 2015 levou goleadas dos rivais, se despediu da Libertadores de forma aguerrida – até demais. Mesmo diante da complicada missão de derrotar o dono da melhor campanha, mostrou coragem em Medellín diante de um adversário superior.

O São Paulo se apegou à tradição e ao histórico de ser o “clube da fé” para alimentar a expectativa de um milagre. Seja pela motivação ou não, o time começou diferente o jogo, disputado sob chuva. Adiantou a marcação, tirou a velocidade do Atlético para sair ao jogo e tocava a bola com paciência, até para acalmar o ambiente otimista do estádio lotado.

A missão de derrubar o melhor time da Libertadores ficou mais palpável aos nove minutos. Michel Bastos foi à linha de fundo e cruzou para Calleri, de cabeça, abrir o placar.

Era a senha para aquela pálida luz no fim do túnel chamada “classificação” começasse a brilhar com clareza. Porém, um apagão defensivo fez um avanço do Nacional terminar em gol após a bola passar por Lugano e se encaminhar para Borja, o carrasco do Morumbi, igualar aos 15 minutos.

O empate foi um golpe duro, mas o time demonstrou mais uma vez ser frio o suficiente para não se abalar. Calleri acertou o travessão em uma cabeçada logo depois e teve outra chance em seguida. O Nacional também começou a se acalmar, superou o susto e perdeu boas oportunidades antes do fim do primeiro tempo, concluído com um polêmico lance de pênalti a favor do São Paulo.

A boa atuação na primeira parte do jogo pouco alterou a missão do time paulista. Em vez de ter 90 minutos para fazer dois gols para minimamente levar aos pênaltis, teria 45 para também marcar outros dois para avançar à final.

A urgência em atacar levou o técnico Edgardo Bauza a mexer no segundo tempo, com a entrada de Alan Kardec na vaga do volante Hudson. Quem avança, se expõe, e o Nacional se aproveitou para assustar.

A necessidade de correr riscos gerou efeito contrário. O São Paulo ficou desorganizado e começou a se sentir sufocado pela falta de tempo. Eram 30 minutos e sem chutar a gol na etapa final, o time teve um pênalti marcado contra por toque de mão de Carlinhos para sepultar completamente o sonho.

A partir disso, as expulsões e a certeza de eliminação, fizeram os minutos restantes serem protocolares para marcarem a despedida do São Paulo.

(Com Estadão Conteúdo)