Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Revolução corintiana: no lugar dos astros, um grupo forte

Clube contrariou suas tradições nos últimos anos, contratando Tevez, Ronaldo, Roberto Carlos e Adriano. Agora, voltou a apostar apenas na união do conjunto

“O principal é ser humilde. Correr, batalhar. E, com a bola nos pés, ter alegria para jogar e vencer”, ensina Alessandro, que pode levantar a taça nesta quarta

O Corinthians tem uma trajetória peculiar no futebol brasileiro: apesar de ser um clube tradicional e vencedor, não tem tantos craques incontestáveis em sua história. A lista de foras-de-série da equipe paulista é breve, com Sócrates e Rivellino como destaques. Entre os ídolos históricos do clube, há jogadores talentosos mas polêmicos (como Neto, Marcelinho Carioca e o goleiro Ronaldo) e outros que ganharam a idolatria da torcida mais pela raça ou pela identificação com o clube do que pelo bom futebol (como Biro-Biro, Vampeta, Viola e Tupãzinho). Nos últimos anos, porém, a equipe contrariou sua reputação e investiu em grandes astros – primeiro através da escandalosa parceria com o empresário Kia Joorabchian, que trouxe o argentino Tevez, e depois com a contratação de veteranos da seleção, começando com Ronaldo (depois vieram Roberto Carlos e Adriano). Mas o Corinthians que disputa a final da Libertadores contra o Boca Juniors, nesta quarta-feira, em São Paulo, é muito mais fiel às origens do clube – uma equipe aguerrida, humilde, sem estrelismo, mas com muita força coletiva.

Leia também:

Leia também: Contra Boca e ‘secadores’, Corinthians tenta erguer seu 1º título

Essa virada no perfil do time começou há pouco menos de dois anos. Ao assumir o comando do time, em outubro de 2010, o técnico Tite prometeu que cuidaria para que cada jogador do elenco tivesse a humildade de cumprir uma função tática pré-determinada – e isso serviria inclusive para os craques Ronaldo e Roberto Carlos, então integrantes do plantel. Menos de dois anos depois, disputando uma inédita decisão de Libertadores, o elenco faz questão de enaltecer a mudança de mentalidade, retomando os valores do passado, e a filosofia de trabalho vencedora estabelecida pelo técnico. Em um time que se orgulha de não ter nenhum jogador que concentre todas as atenções, o diferencial é a união e a vontade de vencer, como no passado do clube. Depois de superar a traumática eliminação na repescagem da Libertadores de 2011, a equipe acabou vencendo o Brasileirão meses depois, e a base dessa geração vencedora é formada por atletas experientes, esforçados e pouco vaidosos, como Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Jorge Henrique e Danilo.

Leia também:

Leia também: Recebido com bombas em SP, Boca treina – e Riquelme se poupa

“O grupo não mudou nada, 90% dele vem do ano passado, da conquista do Brasileiro. A mentalidade, o foco, e o trabalho são os mesmos, porque o Tite tenta tirar o melhor de cada um”, disse o lateral Alessandro, um dos líderes do grupo, cotado para carregar a braçadeira de capitão na final desta quarta. “Nossa trajetória toda até o final e a vontade do grupo sempre foram muito grandes, mesmo que a vitória não viesse. Há ambição e desejo, mas também humildade para respeitar o momento do companheiro que está jogando melhor “, discursou o atleta, que chegou a ser reserva de Edenílson durante a competição, mas recuperou o status de titular e pode levantar a taça nesta quarta, no Pacaembu. Um dos símbolos do atual time, ele reconhece que, no Corinthians, a estrela é o conjunto. “Em um grupo de muitos jogadores de qualidade, cada um com sua característica, o principal é ser humilde. Correr, batalhar. E, com a bola nos pés, ter alegria para jogar e vencer”, contou o jogador, contratado em 2008 e presente em várias campanhas bem sucedidas do clube nos últimos anos.

Leia também:

Para o torcedor: por que o Corinthians leva a Libertadores

Para o secador: por que o Corinthians cai na Libertadores

(Com agência Gazeta Press)