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Histórica, Espanha vence Itália na final da Eurocopa e atinge marcas inéditas

Por Da Redação - 1 jul 2012, 18h03

Kiev, 1 jul (EFE).- Pragmática durante toda a Eurocopa, a Espanha encantou o mundo neste domingo com o bom futebol que se tornou sua marca registrada nos últimos anos e conquistou o título do torneio ao vencer a Itália por 4 a 0 no Estádio Olímpico de Kiev, entrando de vez para a história com marcas nunca antes alcançadas.

Ao ficar com a taça, a ‘Fúria’ se torna a primeira seleção a ganhar duas edições de uma competição e a Copa do Mundo em sequência e a primeira a ser campeã da Euro duas vezes seguidas. Além disso, ela iguala a Alemanha no topo da lista de maiores vencedores do campeonato, com três conquistas (1964, 2008 e 2012).

Os feitos históricos não param por aí. A Espanha já está sem perder há 12 jogos e, assim, tem também a maior invencibilidade da história da Eurocopa. Além disso, a seleção não sabe o que é sofrer um gol em mata-matas de torneios importantes desde a Copa do Mundo de 2006, quando perdeu por 3 a 1 para a França nas oitavas de final.

David Silva e Jordi Alba, com gols no primeiro tempo, e Fernando Torres e Juan Mata, que saíram do banco e balançaram a rede na etapa final, foram os responsáveis por construir o placar.

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Além das quatro bolas na rede, o que se viu foram muitas trocas de passes, fazendo com que a Espanha terminasse o jogo com 52% de posse de bola, segundo o site da Uefa. A Itália, campeã de 1968, no meio da roda, mas sem apelar para violência. E o goleiro Buffon viu cair uma invencibilidade em partidas oficiais, tanto pela seleção quanto pela Juventus, que já durava desde maio de 2011.

Apesar de não estar em sua melhor fase, Torres foi um dos seis artilheiros da competição, com três gols. Mario Balotelli poderia ter se isolado na lista, passou em branco neste domingo e teve que dividir a honra.

A grande dúvida na equipe de Vicente Del Bosque era no ataque, com duas possibilidades: a escalação de um centroavante de ofício ou a de um chamado ‘falso nove’. Como aconteceu nas semifinais, contra Portugal, e na estreia, contra a própria ‘Azzurra’, a segunda opção foi a escolhida, e Cesc Fàbregas atuou avançado.

Na seleção italiana, havia uma indefinição quanto à lateral direita. Abate, que começou jogando contra a Irlanda, ainda na fase de grupos, e diante da Inglaterra, nas quartas de final, ocupou a posição.

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O árbitro do jogo em Kiev foi o português Pedro Proença, o mesmo que apitou a final da última Liga dos Campeões, em que o Chelsea derrotou o Bayern de Munique nos pênaltis.

Pela terceira vez seguida, um brasileiro naturalizado disputou a final da Euro. Depois de Deco por Portugal em 2004 e Marcos Senna pela Espanha em 2008, a Itália teve Thiago Motta neste domingo, mas por apenas três minutos.

Mal entrou em campo, no começo do segundo tempo, o volante sentiu uma lesão muscular na coxa e teve que sair sem dar lugar a ninguém, pois Prandelli já havia feito as três alterações.

A decisão foi assistida de dentro do estádio por grandes personalidades, como o príncipe de Astúrias, Felipe de Borbón, o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, e o primeiro-ministro italiano, Mario Monti. Desfalques da ‘Fúria’ por lesão, o zagueiro Carles Puyol e o atacante David Villa também marcaram presença.

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A Espanha tomou a iniciativa e com as conhecidas trocas de passe se aproximava do gol adversário, mas faltava chutar. A melhor finalização nos dez primeiros minutos foi de Xavi, que tabelou com Iniesta, recebeu na meia-lua e arrematou por cima.

Sem deixar a adversária incomodar, a ‘Fúria’ saiu em vantagem aos 14 minutos. Iniesta tocou nas costas da zaga para Fàbregas, que foi ao fundo pela direita e cruzou para David Silva. Com Buffon batido, o meia do Manchester City cabeceou para o gol vazio.

Aos 17, no primeiro bom lance da Itália, Pirlo cobrou escanteio fechado pela direita e Casillas teve que se esticar todo para tirar da cabeça de De Rossi. Em lance parecido, aos 26, o goleiro deu um tapa e contou com a sorte, já que a bola bateu nas costas de Jordi Alba e voltou para o camisa 1.

Pouco depois, aos 28, os italianos finalmente acertaram um chute no gol. Cassano acelerou pela esquerda, deixou Arbeloa no chão e bateu entre as pernas da marcação. Atento, Casillas, caiu e segurou.

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A ‘Azzurra’ ia se soltando, e o goleiro espanhol tinha que trabalhar mais. Aos 32 minutos, Cassano ajeitou na meia direita e soltou a bomba de fora da área. O camisa 1 saltou no canto esquerdo e deu rebote, mal aproveitado pelos italianos. Na sequência, aos 37, Balotelli tabelou com Montolivo pela direita e finalizou por cima.

Saindo mais, a equipe de Cesare Prandelli passou a dar espaços, e Xavi soube como aproveitá-los. Apagado em boa parte da Euro, o meia do Barcelona resolveu aparecer logo na decisão. Depois de ter iniciado a jogada do primeiro gol, ele deu o passe para o segundo, aos 41. O camisa 8 deu ótimo lançamento rasteiro para Jordi Alba, que apareceu como elemento surpresa e tocou para a rede na saída de Buffon.

Prandelli optou por uma troca simples no ataque, de Cassano por Di Natale. Logo com um minuto do segundo tempo, o atacante da Udinese já apareceu na área para desviar levantamento da direita de Abate e encobrir o travessão. Na resposta imediata mesmo em um espaço curto, Fàbregas fez fila na zaga adversária e arrematou à direita do gol.

Di Natale voltou a ter uma chance de diminuir aos seis minutos, quando foi acionado sozinho na esquerda. Ele tentou duas vezes, mas parou em Casillas nas duas.

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Após o começo de segunda etapa fulminante, o ritmo da partida caiu a partir dos dez minutos. Um novo lance de perigo aconteceu apenas aos 24 minutos, quando Pedro foi acionado nas costas da zaga pela esquerda e tocou para a área, buscando Fàbregas, mas Bonucci interceptou.

Com um homem a menos em campo, a ‘Azzurra’ aos poucos foi perdendo forças, e a Espanha se aproveitou. Aos 33 minutos, Iniesta adiantou para Alba, que encontrou Pedro livre na área. O camisa 7 concluiu para fora, mas, para atenuar o ‘mico’ pelo gol perdido, a arbitragem marcou corretamente um impedimento.

Aproveitando-se da falta de ânimo da adversária, a ‘Fúria’ transformou a vitória que já era bonita em uma goleada inesquecível. Aos 38 minutos, Xavi aproveitou o erro na saída de jogo dos italianos e colocou Torres na cara do gol. Com calma, o atacante tocou rasteiro no lado esquerdo de Buffon.

Torres ainda poderia ter sido o artilheiro isolado do torneio, mas não foi fominha e serviu um companheiro mais bem colocado. Aos 42 minutos, o jogador do Chelsea foi acionado dentro da área por Xabi Alonso. Com Buffon em cima, ele rolou para que Mata balançasse a rede em seu primeiro toque na bola em toda a Euro-2012 e fechasse a maior goleada da história das finals do torneio.

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Ficha técnica:.

Espanha: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi e Iniesta (Mata): David Silva (Pedro) e Fàbregas (Torres). Técnico: Vicente del Bosque.

Itália: Buffon, Abate, Barzagli, Bonucci e Chiellini (Balzaretti); Pirlo, De Rossi, Marchisio e Montolivo (Thiago Motta); Cassano (Di Natale) e Balotelli. Técnico: Cesare Prandelli.

Arbitragem: Pedro Proença (Portugal), auxiliado pelos compatriotas Bertino Miranda e Ricardo Santos.

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Cartões amarelos: Piqué (Espanha); Barzagli (Espanha).

Gols: Silva, Alba, Torres e Mata (Espanha).

Estádio: Olímpico de Kiev, em Kiev (Ucrânia). EFE

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