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Futebol feminino cresceu, mas preconceito entre homens prevalece

É o que mostra estudo realizado por cientistas britânicas entre quase dois mil torcedores recrutados em fóruns online do esporte no Reino Unido

Por Alessandro Giannini Atualizado em 8 fev 2022, 20h09 - Publicado em 9 fev 2022, 08h00

Uma pesquisa realizada no Reino Unido mostrou que, entre os torcedores de futebol, os homens com atitudes abertamente misóginas em relação ao esporte feminino ainda são a maioria, 68 porcento. Atitudes progressistas também estão fortemente representadas, 24 porcento, mas não são tão comuns quanto as atitudes hostis e sexistas. Os misóginos envergonhados, que escamoteiam suas atitudes preconceituosas, são 8 porcento.

O estudo, com base em uma pesquisa que ouviu 1.950 fãs de futebol do sexo masculino, recrutados em fóruns de torcedores do Reino Unido, foi liderado pela cientista Stacey Pope, da Universidade Durham. Participaram também pesquisadores da Universidade de Leicester e da Universidade da Austrália Meridional.

É a primeira vez que um estudo lança luz sobre as atitudes dos torcedores de futebol masculino em relação ao esporte feminino. Isso ocorre em um momento em que, em muitos países, o futebol de mulheres se torna mais visível em termos de exposição na mídia.

Os marcos apontados no levantamento britânico são as Olimpíadas de Londres de 2012 e a Copa do Mundo Feminina de 2015, no Canadá, na qual a seleção inglesa ficou em terceiro lugar. A Copa foi especialmente marcante porque, pela primeira vez, todos os jogos da Inglaterra foram transmitidos ao vivo, enquanto os números de audiência em todo o mundo quebravam recordes. A cobertura dos veículos impressos também foi massiva.

No Brasil, onde o futebol feminino foi proibido por lei de 1941 a 1979, em razão de “sua natureza”, o esporte teve seu ápice de popularidade na Copa do Mundo de 2019, na França. Pela primeira vez, a TV Globo transmitiu o torneio em rede nacional. Com a transmissão, a maior emissora brasileira contabilizou mais espectadores que a média do horário em todos os jogos da equipe capitaneada por Marta. Fomos eliminados nas oitavas de final.

Segundo a professora Stacey Pope, o aumento da cobertura do futebol feminino mudou a percepção de alguns homens em relação ao esporte. De qualquer forma, continua a pesquisadora, os resultados do estudo mostraram que as atitudes progressistas estavam fortemente representadas, mesmo que não fossem tão comuns quanto as atitudes hostis e sexistas. “Há numerosos exemplos de homens de todas as gerações exibindo atitudes altamente sexistas e misóginas”, disse ela, em entrevista à VEJA.

A pesquisa pode ser útil para analisar a misoginia social mais ampla, diz a cientista da Universidade Durham. Por exemplo, observar as respostas dos homens às mulheres em outros ambientes, como no local de trabalho, educação ou indústrias criativas.

“Aqui [no Reino Unido], as organizações enfrentaram pressão para abordar as desigualdades de gênero”, disse Pope. “As mensagens institucionais podem ser a favor da igualdade de gênero, mas as desigualdades permanecem, como a disparidade salarial e a absoluta prevalência de assédio sexual, misoginia e abuso nesses ambientes.”

Mas ela aponta um caminho, que passa pelo esporte: “Dado que a pesquisa mostrou que uma maior exposição na mídia pode mudar as atitudes dos homens, pedimos mais cobertura midiática do esporte feminino para promover mais igualdade de gênero e promover justiça social”.

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