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Franz Beckenbauer: o epítome da classe

O 'kaiser' do futebol morreu em 7 de janeiro, aos 78 anos, em Salzburgo, Áustria

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jan 2024, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 09h35
  • Ninguém é chamado impunemente de kaiser — o termo em alemão para designar o imperador e que foi emprestado dos césares da Roma Antiga. Um “kaiser”, no futebol, talvez seja menos valioso apenas que uma “enciclopédia”, a alcunha do lateral-esquerdo Nilton Santos, que sabia de tudo, de A a Z. Franz Beckenbauer era o Kaiser. Faz parte de uma seleta galeria de jogadores que inventaram alguma coisa com a bola nos pés. Zagallo foi o ponta-esquerda que tratou de recuar para o meio, pioneiro nesse recurso — que ele depois transportaria para a margem dos gramados, como treinador. Johan Cruijff era o pião do meio que ora estava de um lado do ataque, ora do outro, regido pelo técnico Rinus Michels, e que faria da posse de bola uma arte no Barcelona. E Beckenbauer? Ele aperfeiçoou uma posição hoje extinta, a do líbero. É o atleta que atuava atrás dos dois zagueiros. Quando seu time recuperava a bola, ele se adiantava — com a elegância de um príncipe — e saía jogando.

    Foi assim que conquistou o título mundial com a Alemanha em 1974, em casa, vitória do pragmatismo apurado contra a utopia frenética do Carrossel Holandês. Assim foi eleito o melhor jogador do mundo em duas oportunidades, no início dos anos 1970, evento raro para um defensor — ainda que fosse um defensor com ânsia de atacar. Depois, como técnico, mais firme do que inovador, levou o bicampeonato em 1990. E então, ressalve-se, fez o que Zagallo já tinha feito, em 1958 e 1970, e que Didier Deschamps bisaria em 1998 e 2018. “Para mim ele era o epítome da classe”, resumiu o francês Michel Platini, como se visse a si mesmo no espelho.

    Um kaiser, é bom lembrar, vez ou outra precisa dar o sangue, sair dos gabinetes para a infantaria — e, nesse aspecto, Beckenbauer fez história com uma imagem que o marcou, caso fosse preciso provar a raça de um sujeito cerebral. Foi na semifinal de 1970, na derrota da Alemanha para a Itália por 4 a 3, na prorrogação, tida como a mais espetacular partida de uma Copa até a finalíssima de 2022, no Catar, o 3 a 3 entre a Argentina de Messi e a França de Mbappé, encaminhada para os pênaltis. Naquela jornada mexicana do Estádio Azteca, o craque germânico deslocou a clavícula aos 25 minutos do segundo tempo. Pôs uma tipoia, franziu o cenho e seguiu em frente a liderar a Nationalmannschaft — e pela primeira vez parecia suado. No fim da carreira de chuteiras, em movimento como o de Pelé, trocou o Bayern pelo Cosmos de Nova York. Morreu em 7 de janeiro, aos 78 anos, em Salzburgo, Áustria. Tinha problemas cardíacos, doença de Parkinson e sinais de demência.

    Publicado em VEJA de 12 de janeiro de 2024, edição nº 2875

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