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Com quase tudo pronto, Londres espera ajuda do clima

Por Daniela Milanese

Londres – Paul Deighton deixou um posto importante no mercado financeiro para se aventurar na organização de uma Olimpíada. Ele era chefe de operações do Goldman Sachs na Europa até que, depois de 22 anos no banco norte-americano, decidiu se candidatar para uma vaga anunciada na revista The Economist. Assim, virou o CEO do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, cargo que ocupa desde 2006. Agora, com toda a preparação praticamente pronta, a torcida dele é para que a capital inglesa tenha tempo bom durante o evento que começa em 27 de julho.

Trabalhando ao lado do ex-atleta Sebastian Coe, um campeão olímpico que virou presidente do Comitê Organizador dos Jogos, Deighton desempenhou um papel muito importante na preparação para o evento, principalmente na hora de montar e controlar o orçamento. Mesmo num período de crise econômica, ele conseguiu cumprir a meta de levantar 2 bilhões de libras (cerca de R$ 6 bilhões) no setor privado e vem mantendo os gastos sob controle.

“Uma das coisas mais importantes que fizemos foi reconhecer que o sucesso estava na habilidade do Comitê Organizador de administrar a situação financeira”, conta Deighton, em entrevista exclusiva à Agência Estado. Ele revela que já conseguiu levantar 90% do dinheiro previsto no orçamento, faltando cerca de 200 milhões de libras (R$ 600 milhões), que se referem principalmente à receita dos ingressos que ainda não foram liberados para venda.

Ele admite que o orçamento do esquema de segurança da Olimpíada está subindo – deve crescer cerca de 250 milhões de libras (R$ 750 milhões) -, mas encara o fato com bastante naturalidade. “Segurança é uma prioridade muito importante, mas estou confiante de que o plano que temos é excelente e alcançará seu objetivo. Temos isso sob controle”, avisa Deighton. “Estamos totalmente comprometidos a garantir que esses Jogos sejam seguros.”

Além do sucesso orçamentário, o planejamento bem executado permitiu que as principais instalações da Olimpíada já estejam prontas com bastante antecedência. Agora, para que a experiência dos Jogos Olímpicos seja totalmente prazerosa, Deighton lembra que o clima na chuvosa e fria cidade de Londres precisa estar bom. E isso é algo que foge totalmente ao controle – uma das poucas preocupações que, segundo ele, o Rio não terá para 2016.

“Para o sucesso dos Jogos, é realmente importante para o país anfitrião que tenha sucesso nas medalhas. Nossa equipe parece bem preparada, mas essa é a beleza do esporte, não se pode garantir sucesso. Outro exemplo é o clima. Fará uma grande diferença para as pessoas aproveitarem os Jogos se o clima estiver bom. Coisas assim têm um impacto muito importante no resultado, mas não posso fazer nada para garantir isso”, explica Deighton.

Apaixonado por esportes, Deighton largou o alto salário no banco por uma função com a peculiaridade de ter prazo de validade bem definido. Depois da cerimônia de encerramento da Olimpíada, no dia 12 de agosto, ele estará virtualmente sem emprego. Mas isso não o preocupa no momento. “Estou tão focado em terminar esse trabalho que não tenho espaço em minha mente para pensar no próximo”, afirma o CEO do Comitê Organizador dos Jogos de Londres.