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Wagner Moura lança ‘Marighella’ no Chile e fala sobre ditadura no Brasil

Para o ator e diretor, há uma "guerra de narrativas" sobre a natureza do regime militar que governou o país entre 1964 e 1985

Por EFE - 20 ago 2019, 16h03

O filme Marighella, estreia de Wagner Moura como diretor, abriu o 15º Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic), no Chile, no domingo 18. Em entrevista coletiva para falar sobre o longa, o ator e diretor afirmou que há, no Brasil, uma “guerra de narrativas” sobre a ditadura militar que governou o país entre 1964 e 1985.

Para Moura, há aqueles que querem contar o que ocorreu durante os anos de regime de exceção no Brasil, caso do próprio ator ao narrar no filme a trajetória do escritor, político e guerrilheiro Carlos Marighella, e os que querem negar os fatos ocorridos sob o governo militar, caso do presidente Jair Bolsonaro.

“No Brasil, há uma guerra de narrativas. Temos um presidente que diz que a ditadura não existiu, que a ditadura foi boa, que a tortura é um método possível para obter informação. Acredito que é muito importante contar histórias para que as pessoas vejam que, sim, houve uma ditadura e que ela foi terrível”, afirmou Moura.

Ele disse que o filme, que traz o cantor Seu Jorge no papel do guerrilheiro Marighella, está no polo oposto ao discurso sobre a ditadura propagado por Bolsonaro, mas que não gravou Marighella para confrontar o atual governo. Segundo ele, o filme começou a ser concebido em 2013, quando Dilma Rousseff ainda era presidente do país. A ideia era “contar uma história que foi apagada do passado”.

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“Eu queria falar da ditadura militar e da resistência. O filme vai de 1964, com o golpe de estado, a 1969, quando matam Marighella. O desafio para mim foi ter uma história emocional, que ao mesmo tempo falasse de muitos fatos históricos que ocorreram nesses cinco anos”, explicou o diretor.

Sobre a exibição do filme na abertura da 15ª edição do Sanfic, Moura observou que a recepção do público foi “emocionante”, destacando o fato de  que os chilenos “sabem muito bem o que é uma ditadura militar”.

Moura também disse que gosta de abordar temas políticos e que filmes do tipo não precisam ser necessariamente complicados, destinados a um grupo seleto de espectadores. “‘Marighella’ é uma mistura de gêneros. É um drama histórico, mas tem muitas coisas do cinema de ação. Me interessa que o cinema político seja popular”, destacou.

Considerando o clima de polarização por que passa o Brasil, o ator disse estar preparado para enfrentar possíveis incidentes na estreia do filme no país, agendada para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. “Superei todos os tipos de boicotes”, finalizou.

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