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Léos Carax apresenta seu ‘Holy Motors’ em Cannes

Por Por Anne CHAON - 23 maio 2012, 14h37

Léos Carax ressurge no comando de seu filme “Holy Motors” nesta quarta-feira em Cannes, atrás de seus óculos escuros e com seus 11 personagens encarnados por Denis Lavant, seu ator infalível.

Sonho ou pesadelo profundo de um homem moribundo, o terceiro filme francês na disputa pela Palma de Ouro faz o seu ator passear por diferentes peles, de grande chefe, de assassino, mendigo, monstro e pai de família.

Nesta jornada noite adentro, conduzida por Celine (Edith Scob) a bordo de uma limusine branca que funciona como um camarim para se trocar, Oscar cruza com Eva Mendes, com a cantora pop australiana Kylie Minogue, com cães e macacos.

Adorado ou odiado, Carax será para sempre – o maior desespero de sua produtora, Martine Marignac – o homem de “Amants du Pont-Neuf”, filme cult e fracasso comercial que o levou ao fundo do poço aos 30 anos.

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Hoje, aos 51, mantém os fãs, os teimosos, que gritaram boas-vindas ao retorno do messias. E outros, desconfiados e preocupados em encontrar mais uma fraude.

A audácia formal do filme é contrabalançada pelas andanças do cenário particular que leva o intérprete aos esgotos e para um cemitério, onde cada lápide tem como epitáfio: “Visite meu site”.

“Em busca da beleza do movimento. Do motor da ação. Mulheres e fantasmas de sua vida”, resume o comunicado à imprensa.

“Todos os personagens foram difíceis de encontrar, mas o que mais temíamos era o pai com sua filha e o velho morrendo… eu decidi confiar na história e no olho atrás da câmera”, resumiu Denis Lavant.

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“Leio uma cena, acho que entendo, mas Léos me leva para outro lugar, para mais humanidade e para encontrar o meu personagem no momento em que me aproximo da dança, da linguagem corporal”, revelou o ator, que segue Carax há 30 anos.

Léos Carax explica que teve o primeiro estalo para esta história ao cruzar todos os dias com uma velha mendiga, a quem ele nunca dirigiu a palavra, a primeira aparição de Oscar transformado: “Eu imaginei que poderia ser ela, minha alma foi levada por meu motorista para que me transformasse nela em um banheiro de um café”.

O título, “Holy Motors”, vem de sua paixão por motores, máquina que ganha voz ao final do filme, iniciando um diálogo entre as limusines.

O cineasta não se importa em ser entendido ou ouvido: “Eu não sei o que é o público, pessoas que vão estar mortas em breve… eu faço filmes particulares”, disse durante a coletiva de imprensa.

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Léos Carax, que diz que “aprendeu a fazer filmes por ir ao cinema” embalou o seu “Holy Motors” com referências para os fãs de cinema e também presta homenagem para as câmeras de antes, quando se dizia “Câmera, Ação!”.

“Hoje em dia nós dizemos ‘power’, porque não há mais força nas câmeras. Mas é um falso poder”.

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