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IMPERDÍVEL – ‘De Longe te Observo’ tira força do não dito

Sutil, filme venezuelano que levou o Leão de Ouro no ano passado, é baseado em trama de Guillermo Arriaga sobre voyeur que se envolve com garoto das ruas

Armando (Alfredo Castro) é um protético de meia-idade solitário acostumado a viver só e que, para frasear Fernando Pessoa, parece nunca tocar na vida. A sua relação com o mundo e com as pessoas é sempre distante. Vive sozinho e, para satisfazer a necessidade de alguma relação sexual, oferece dinheiro a garotos que, postados cerca de um metro à frente da poltrona da sua sala, se despem de costas para que Armando se masturbe sem encostar e nem mesmo fazer contato visual com ninguém. Observador que é, das ruas e das pessoas, não é possível saber se a escolha de Elder (Luis Silva), adolescente que entrará em sua vida para marcá-la de forma definitiva, é acidental ou com propósito. É a relação entre o homem de classe média e o menino de classe baixa, que se sustenta com furtos e com o apoio de uma gangue, que conduz De Longe te Observo, filme do venezuelano Lorenzo Vigas em cartaz desde quinta-feira no país. Premiado com o Leão de Ouro em Veneza, no ano passado, o filme tem roteiro baseado em uma história do mexicano Guillermo Arriaga – o mesmo de Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. Uma história de tratamento literário: De Longe se sustenta sobre coisas não ditas, como as reais intenções de Armando com relação a Elder, um garoto homofóbico de quem ele se dedica a cuidar e sustentar, e a mágoa que o protético tem do pai, que reaparece em Caracas e que ele, novamente, apenas observa pelas ruas. Paralela, a relação de Armando com o pai vai se chocar com a de Armando e Élder. E, mais uma vez, a força virá daquilo não pronunciado.

Armando (Alfredo Castro) é um protético de meia-idade solitário acostumado a viver só e que, para frasear Fernando Pessoa, parece nunca tocar na vida. A sua relação com o mundo e com as pessoas é sempre distante. Vive sozinho e, para satisfazer a necessidade de alguma relação sexual, oferece dinheiro a garotos que, postados cerca de um metro à frente da poltrona da sua sala, se despem de costas para que Armando se masturbe sem encostar e nem mesmo fazer contato visual com ninguém. Observador que é, das ruas e das pessoas, não é possível saber se a escolha de Elder (Luis Silva), adolescente que entrará em sua vida para marcá-la de forma definitiva, é acidental ou com propósito. É a relação entre o homem de classe média e o menino de classe baixa, que se sustenta com furtos e com o apoio de uma gangue, que conduz De Longe te Observo, filme do venezuelano Lorenzo Vigas em cartaz desde quinta-feira no país. Premiado com o Leão de Ouro em Veneza, no ano passado, o filme tem roteiro baseado em uma história do mexicano Guillermo Arriaga – o mesmo de Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. Uma história de tratamento literário: De Longe se sustenta sobre coisas não ditas, como as reais intenções de Armando com relação a Elder, um garoto homofóbico de quem ele se dedica a cuidar e sustentar, e a mágoa que o protético tem do pai, que reaparece em Caracas e que ele, novamente, apenas observa pelas ruas. Paralela, a relação de Armando com o pai vai se chocar com a de Armando e Élder. E, mais uma vez, a força virá daquilo não pronunciado.