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Emma Thompson espinafra poder patriarcal: ‘Homens velhos são dinossauros’

Atriz britânica criticou desigualdade sexual e modelos masculinos considerados por ela primitivos

Para a atriz britânica Emma Thompson, 59 anos, a geração da filha, Gaia Wise, de 18 anos, pode crescer livre dos “modelos primitivos” de sociedade aos quais ela foi imposta — uma sociedade marcada pelas desigualdades entre homens e mulheres. “Fiz parte de uma geração retrógrada, que tinha opiniões muito binárias sobre homens e mulheres. Cresci cercada de modelos primitivos”, diz. “Esses homens velhos estão indo embora, graças a Deus, são dinossauros.”

O comentário veio misturado a críticas contra Harvey Weinstein, o homem mais odiado de Hollywood hoje. “É um fato que faltam mulheres na indústria do cinema. Sempre foi assim. Elas começaram a entrar nos sets nas equipes de câmera, mas nunca vi uma única mulher, por exemplo, como eletricista. É praticamente impossível para uma mulher conseguir uma vaga nessa área em Hollywood.” Emma também conta que se considera felizarda por ter conquistado uma carreira de sucesso como atriz. “Mas somos apenas uma pequena parte da sociedade. Para as mulheres negras, é ainda mais difícil”, acrescenta.

Segundo a atriz vencedora de um Oscar em 1993 por seu papel em Retorno a Howards End e outro em 1996 pelo roteiro de Razão e Sensibilidade, o caminho ainda é longo. “Acho que o que está acontecendo agora é muito interessante. Esta nova geração, que vem depois da minha e de minha filha, ainda viverá muitas mudanças.”

A atriz britânica promove atualmente o filme A Balada de Adam Henry (The Children Act), sem data de estreia no Brasil. Na trama, baseada no romance de Ian McEwan, ela interpreta Fiona Maye, juíza de uma vara de família que precisa decidir sobre o caso de um menino doente, testemunha de Jeová, religião que proíbe a transfusão de sangue. “É um olhar pouco habitual, ambivalente, complexo sobre a vida de uma pessoa; em particular sobre a vida de uma mulher em um mundo de poder patriarcal, hierárquico.”

Segundo a britânica, a personagem da juíza, que não consegue conciliar a vida privada com a vida profissional, é algo sintomático de nossa época, dominada pela “falsa ideia” de que “as mulheres podem ter tudo”.

“É horrível querer isso porque esta não é a questão. A questão é que há um desequilíbrio. Quando os homens iam trabalhar, não se ocupavam ao mesmo tempo das tarefas domésticas”, recorda.

Para Emma, “não se trata de fazer tudo, e sim de compreender quais são nossas prioridades”. “Não se trata de ser como homem. Se trata de levar o feminino ao mundo e reequilibrá-lo.”