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Disputa pela Palma de Ouro pega fogo com distopia e Holocausto

The Lobster The Lobster

The Lobster (/)

Enquanto Woody Allen promoveu um momento de leveza fora de competição, a disputa pela Palma de Ouro pegou fogo. O húngaro Saul Fia, de László Nemes, impressionou os jornalistas na sessão de imprensa da noite da quinta-feira. O tema não é exatamente novo – o Holocausto -, mas Nemes aborda um lado original: o dos judeus obrigados a ajudar os nazistas nos campos de extermínio. O principal, aqui, é a maneira como o longa foi filmado. Na primeira sequência, o protagonista Saul (Géza Röhrig) entra lentamente em foco, caminhando do fundo da tela para um close. O tempo quase todo vai ser assim, com a câmera colada no protagonista e o fundo desfocado. Como o diretor optou por usar o formato de tela quadrado, como se fosse uma tela de celular, não sobra muito fundo. Ainda assim, graças ao minucioso trabalho de som, é impossível não se chocar mais uma vez com aquele horror. Quando novos prisioneiros chegam, só dá para ouvir os gritos e as ordens dos soldados nazistas.

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Encaminhados para os “chuveiros”, na verdade as câmeras de gás, escutam-se seus berros e batidas nas paredes e portas. Saul age mecanicamente. Não tem muita escolha, afinal. Vai ser difícil o júri ignorar o filme desse cineasta estreante.

Distopia – O grego Yorgos Lanthimos apresentou a sua versão de uma sociedade totalitária em The Lobster (A lagosta, em tradução direta). Jogos Vorazes é fichinha perto do argumento originalíssimo de The Lobster, seu primeiro filme em inglês. Em um futuro próximo, os solteiros são levados para um hotel onde precisam encontrar um novo par em 45 dias. Aqueles que não conseguem são transformados no animal de sua preferência. Foi o que aconteceu com o irmão do personagem principal, David (Colin Farrell, em sua melhor interpretação em anos), que pode ter o mesmo destino agora que se separou. Ali, as pessoas procuram qualquer ponto de proximidade, por mais bizarro que seja. Há quem bata o nariz na mesa para fingir que tem sangramentos constantes, como a pretendente, por exemplo. David descobre que há uma dissidência de solteiros que vive na floresta, com regras tão rígidas quanto. Ali, conhece a Mulher Míope (Rachel Weisz). O diretor já mostrou gostar de cenários opressivos em Dente Canino, vencedor do prêmio da mostra Um Certo Olhar em 2011, em que um pai e uma mãe deixavam seus três filhos sem contato com o mundo exterior – algumas palavras eram proibidas, e os jovens eram incentivados a se comportar de maneira infantilizada. Mas aqui ele vai além da opressão. O filme é uma estranha história de amor, com boas sacadas sobre o que as pessoas estão dispostas a fazer para ter um relacionamento a qualquer custo e a obrigatoriedade de ter alguém. The Lobster perde um pouco o ritmo em alguns momentos, mas a sua ideia é tão original que é difícil de ignorá-lo.

Do outro lado do espectro, está o doce Umimachi Diary, do japonês Hirokazu Kore-eda (prêmio do júri em 2013 com Paris & Filhos), baseado na graphic novel de Akimi Yoshida. O diretor adora um drama familiar, e aqui não é diferente. As irmãs Sachi (Haruka Ayase), Yoshino (Masami Nagasawa) e Chika (Kaho) recebem a notícia da morte do pai, que as abandonou há 15 anos. No funeral, descobrem que ele teve outra filha, Suzu (Suzu Hirose), no segundo casamento. E que sua terceira mulher provavelmente não vai cuidar bem da adolescente. Resolvem acolhê-la. Basicamente, é isso. O tempo todo o espectador acha que algo trágico vai acontecer, como nas telenovelas – que a irmã tem um plano de vingança, algo assim. Kore-eda evita esses clichês e faz um filme quase alienígena no cenário atual, sem grandes eventos, que é apenas um sutilíssimo estudo da construção do relacionamento entre as quatro irmãs. Tão sutil que pode passar despercebido. Mas é bom de vez em quando ver quatro mulheres se dando bem no cinema, mesmo que a mãe de Suzu tenha sido a mulher por quem o pai das três mais velhas abandonou a família.

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‘Il Racconto dei Racconti’, de Matteo Garrone

Depois de estourar com Gomorrah e Reality, o diretor italiano volta-se para os contos de fadas, adaptando histórias de Giambattista Basile (1566-1632), que reuniu algumas das primeiras versões de Rapunzel e Cinderela. No elenco, Salma Hayek, Vincent Cassel e John C. Reilly. É o primeiro filme do cineasta falado inglês.

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‘Irrational Man’, de Woody Allen

Emma Stone faz seu segundo trabalho em sequência com o veterano diretor nova-iorquino, com quem já rodou Magia ao Luar (2014). Ela é a estudante por quem um professor de filosofia em crise existencial (Joaquin Phoenix) se apaixona, encontrando propósito na vida. O longa-metragem foi rodado na pitoresca Newport, no Estado de Rhode Island. 

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‘Mia Madre’, de Nanni Moretti

O italiano Nanni Moretti gosta de usar elementos autobiográficos. Em Mia Madre, usa a experiência de perder sua mãe durante as filmagens de Habemus Papam (2011) como a inspiração para a cineasta Margherita (Margherita Buy), que tenta levar adiante seu longa de fundo político enquanto cuida da mãe e lida com um astro complicado (vivido por John Turturro).  

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‘Carol’, de Todd Haynes

Baseado em um romance de Patricia Highsmith, mostra a história da jovem Therese (Rooney Mara) que se apaixona por Carol, uma mulher casada e mais velha (Cate Blanchett), na Nova York dos anos 1950. Kyle Chandler (Bloodline) interpreta o marido de Carol. Entre Eu Não Estou Lá (2007) e Carol, Todd Haynes fez a minissérie Mildred Pierce

Sicario Sicario

Sicario (/)


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‘Youth’, de Paolo Sorrentino

Em seu segundo filme falado em inglês – o primeiro foi Aqui É o Meu Lugar, com Sean Penn –, o italiano Paolo Sorrentino mostra dois velhos amigos, o compositor e maestro Fred (Michael Caine) e o cineasta Mick (Harvey Keitel), em férias num hotel nos Alpes. Paul Dano, Jane Fonda e Rachel Weisz também estão no elenco. 

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