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‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’ abre mostra de Brasília

Competição da 47ª edição do Festival de Cinema sediado no Distrito Federal traz jovens diretores com proposta autoral

Deus e o Diabo na Terra do Sol, uma das obras-primas do cineasta Glauber Rocha, completa 50 anos de lançamento e será exibida, em cópia restaurada, nesta terça-feira, na 47.ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme será projetado no Teatro Nacional Claudio Santoro, onde ocorrem as noites de abertura do mais antigo festival de cinema do calendário brasileiro. O evento teve origem na Semana do Cinema Brasileiro, iniciativa de Paulo Emilio Salles Gomes e colaboradores, quando o crítico paulista dava seu curso de cinema na então recém-fundada Universidade de Brasília, na década de 1960.

Exibido pela primeira vez em 13 de março de 1964, Deus e o Diabo marcou a história do cinema nacional. Estrelado pelo vaqueiro Manuel (Geraldo Del Rey), o longa acompanha a transformação do personagem e de sua consciência, passando pela revolta contra o patrão, o fanatismo religioso, a violência anárquica do cangaço, até a libertação da corrida em direção ao mar.

Depois desse começo no Teatro Nacional, o festival migra no dia seguinte para sua casa, o Cinema Brasília, sede da principal mostra competitiva. Serão apenas seis longas-metragens em concurso, quase todos inéditos. Concorrem Sem Pena, de Eugênio Puppo (São Paulo); Brasil S/A, de Marcelo Pedroso (Pernambuco), Pingo D�Água, de Taciano Valério (Paraíba), Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queirós (Distrito Federal), Ventos de Agosto, de Gabriel Mascaro (Pernambuco), e Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira (Minas Gerais).

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Destes, apenas Branco Sai, Preto Fica participou de outro festival, o Olhar de Cinema, de Curitiba. Os demais têm em Brasília sua primeira janela de exibição. Além dos seis longas, 12 curtas disputam os troféus Candango e prêmios em dinheiro, no total de 625.000 reais. O melhor longa leva sozinho 250.000 reais, uma pequena fortuna para filmes que transitam na faixa do baixo orçamento.

Nesta edição, em comum, todos os filmes são feitos por cineastas de idade relativamente baixa, com uma proposta artesanal de realização e o diálogo com estéticas alternativas. Não por acaso, apenas Pernambuco, epicentro do cinema de autor brasileiro atual, comparece com dois concorrentes no evento. Antes, esse tipo de foco era característico da Mostra de Tiradentes, a meca do cinema experimental brasileiro. Agora, o modelo mineiro se espraia e chega em Brasília.

(Com agência Estado)