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Crítico espanhol diz que Machado de Assis é maior que Balzac

Para Antonio Maura, bruxo do Cosme Velho está acima de Dickens, Galdós e Eça de Queiroz

Por Da redação - Atualizado em 5 maio 2017, 18h18 - Publicado em 5 maio 2017, 11h06

Escritor e crítico espanhol, Antonio Maura acredita que Joaquim Maria Machado de Assis, o grande gênio da literatura brasileira, não foi devidamente valorizado pela crítica e mereceria ser reconhecido como um dos melhores escritores do século XIX. “Acho que Machado é um dos grandes nomes do século XIX. Não acredito que (Charles) Dickens, (Honoré de) Balzac, Eça de Queiroz ou nosso (Benito Pérez) Galdós possam ser comparados a ele. São grandes escritores, mas estão abaixo nos quesitos riqueza, crítica e análise da sociedade e versatilidade. Não chegam aos seus pés”, diz.

Sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, Maura está no Cairo para a conferência “El autor y sus máscaras: una aproximación a Cervantes y Machado de Assis” (O autor e suas máscaras: uma aproximação de Cervantes e Machado de Assis), no Instituto Cervantes, e afirma que, fora de suas fronteiras, o escritor brasileiro “é um grande desconhecido”. Em sua opinião, até mesmo no Brasil os estudos sobre Machado de Assis “não refletiram bem” sua faceta de grande crítico do sistema de sua época e da escravidão.

Para ele, o cronista e poeta teve que recorrer à ironia para falar “na surdina” de um tema que não podia ser encarado abertamente por ele ser neto de escravos. Um exemplo disso é Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Segundo Maura, a verdadeira intenção de do autor é “colocar o dedo na ferida” da sociedade e para isso se serve de uma sutil alegoria para denunciar que o morto é o próprio Brasil.

A escolha do nome do protagonista, que coincide com o início do nome do país, “não é à toa” para um alguém tão “inteligente e cuidadoso com a linguagem” quanto era Machado de Assis. De acordo com ele, “a crítica brasileira foge” dessa interpretação porque “não é fácil aceitar que seu país é um país morto ou esteve morto”.

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Maura defende a tese de que as obras que o romancista e dramaturgo escreveu depois de Memórias Póstumas, como Dom Casmurro ou Quincas Borba, são dos livros “mais importantes de sua geração, não apenas do Brasil, mas de todo o mundo”.

Segundo ele, alguns autores de língua espanhola, como Jorge Edwards, Julián Ríos e Carlos Fuentes, destacaram a importância de Machado de Assis, mas o mestre brasileiro ainda carece do merecido reconhecimento mundial.

(Com agência EFE)

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