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Claudia Leitte ensina a sobreviver após o ‘The Voice Brasil’

Em entrevista ao site de VEJA, a cantora, que agora é também empresária, orienta jovens talentos sobre como aproveitar a janela aberta pelo programa

“Eu não quero uma voz de alcance extraordinário. O cara tem de tocar a minha alma.”

Capaz de arrastar multidões em seus shows ou num trio elétrico, Claudia Leitte, que acumula hits e fãs, tornou-se admirada também por se consagrar como uma das quatro técnicas do The Voice Brasil. O reality show de cantores da Rede Globo, em sua segunda edição, assumiu rapidamente a condição de maior lançador de talentos do mercado da música, e alimenta o sonho de milhares de amadores pelo Brasil. Tão importante quanto ser finalista é despertar a atenção dos tutores, que podem apadrinhar uma carreira e abrir as portas do mercado. Mas nem tudo são flores, ensina Claudia, no caminho até o sucesso.

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“Um bom gerenciamento de carreira é importante, mas há muitos outros. Primeiro, o artista precisa saber o que quer e aonde deseja chegar”, avalia. Em entrevista ao site de VEJA, a cantora – que há pouco mais de um ano decidiu também investir na carreira de empresária, fundando a 2Ts – contou que treina os candidatos de sua equipe no The Voice Brasil tentando vislumbrar o futuro, mas com a noção de que o dono da voz é quem faz seu caminho. “Acho que a responsabilidade é de quem tem o sonho, que precisa saber como aproveitar esse momento”, comenta ela. Confira os principais trechos da entrevista:

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O que você leva em consideração ao escolher uma voz no The Voice Brasil? Tem que ser pela emoção. Quando eles chegam ao palco, a gente já sabe que têm talento, potencial. Muitos já têm uma longa estrada, a leva de profissionais é gigantesca. Então, eu não quero uma voz de alcance extraordinário. O cara tem de tocar a minha alma.

Depois da escolha, você trabalhar com os candidatos pensando na carreira que eles podem seguir? A gente olha a carreira sim, a começar pela construção do repertório. Eu e minha equipe no programa (produtores e diretores musicais) nos preocupamos muito com o segmento de cada um. Mas a gente precisa que o cantor se entregue de corpo e alma. Tudo é mais consequência do que ele mostra no palco.

Se quase todos ali são profissionais, qual é exatamente a função do técnico? Distribuo toda a minha experiência. Eu me vejo em muitos deles, quando comecei a carreira, dez anos atrás. E estou ali para dizer: “Venha por aqui, porque deu certo para mim”. Eles precisam de direção, para diminuir, por exemplo, alguns exageros. No afã de mostrar muito no palco, às vezes eles abusam das firulas. Entendo que é a chance de mostrar tudo o que têm, mas florear a música o tempo inteiro deixa a apresentação cansativa. Geralmente, tenho de podar um pouco mais nesse sentido. Também tento lembrá-los sempre de que dividir é sempre melhor. É uma competição, claro, mas eles fazem música e não podem deixar a disputa passar à frente do fato de que são servos das pessoas. O talento deles está a serviço dos outros.

Como aproveitar melhor essa chance para continuar fazendo sucesso mesmo após o fim do programa? Acho que a responsabilidade é de quem tem o sonho, que precisa saber como aproveitar esse momento. Se você parar para pensar, essa experiência só tem coisas positivas. Quem não quer ter acesso a um dos maiores diretores da televisão brasileira? Boninho respira música. Ainda estou trabalhando com Torquato Mariano e Lincoln Olivetti. São músicos fenomenais que só tive acesso anos depois de fazer sucesso. E este é o primeiro passo da carreira de muitos ali. Eles vivem uma atmosfera especial. Então, além dessa rede de relacionamento, se ele tiver sabedoria e consciência de que aquilo é uma grande oportunidade, vai conseguir se dar bem.

Mas a maioria dos participantes desse tipo de programa não consegue ir adiante. O que falta? Um bom gerenciamento de carreira é importante, mas há muitos outros fatores fundamentais a se observar. Primeiro, o artista precisa saber o que quer e aonde deseja chegar. Mas tem coisas que a gente não encontra na prateleira do supermercado. Carisma, por exemplo. Quem explica o carisma? Não existe fórmula. E não dá para prever o que vai acontecer, depende muito do momento também. Acho que as pessoas fazem uma relação estranha entre sucesso e fama. Estar na mídia não significa necessariamente fazer sucesso.

Há cerca de um ano você começou a investir na carreira de empresária. Foi motivada por esses novos talentos que aparecem no The Voice Brasil? Sim, o programa me incentivou muito. Eu já tinha esse desejo, mas ganhei confiança e conheci mais pessoas. Durante a produção do Axé (novo trabalho que será lançado no fim deste ano), coloquei uma menina para ser meu cover. Gravamos as músicas todas antes, fizemos as marcações e ela ficou no meu lugar. É sensacional quando você consegue se ver de fora e pode consertar na hora aquilo que não está bom. Se eu posso fazer isso por mim, porque não fazer para outra pessoa?

Seu escritório começou a agenciar Mira Callado, participante da primeira edição. O que te fez olhar para ela, que era do time de Carlinhos Brown? Gosto do jeito como ela se porta no palco, como diz as coisas de uma maneira forte até quando quer ser doce. E a voz dela é algo indiscutivelmente bom, gostosa de ouvir. Ela é uma joia no palco e sabe o que quer.

Já pensa em buscar outros talentos nesta edição? O trabalho com Mira está só começando. Quero muito mais dessa parceria. Estou esperando um pouco mais para invadir a seara dela com gosto, estou me reservando para fazer isso. Por isso, pelo menos por enquanto, não posso dar conta de mais ninguém. Mas me sinto muito otimista em relação a isso, tenho vontade de ter mais gente. Gosto de produzir.

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Bruna Góes

Catarinense, de 21 anos.

Audições: Brown foi o primeiro a bater, ao ouvir Proud Mary, sucesso da banda Creedence Clearwater. Claudia bateu depois, mas foi ela quem a jovem preferiu.

Batalhas: Venceu o dueto com Maysa Ohashi na música Ain’t no Mountain High Enough, de Marvin Gaye e Tammi Terrell.

Debora Cidrack

Cearense, de 30 anos.

Audições: Cantou Stronger, de Kelly Clarkson, e foi disputada por Claudia e Brown.

Batalhas: Enfrentou Janaina Cruz na música Titanium, de David Guetta e Sia.

 

Gabby Moura

Carioca, de 34 anos.

Audições: Sua versão de Coqueiro Verde, de Erasmo Carlos, conquistou Daniel, Carlinhos Brown e Claudia Leitte. Ficou com a última.

Batalhas: Duelou com Amanda Amado na canção Resposta ao Tempo, de Nana Caymmi.

Guto Santanna

Brasiliense, de 26 anos.

Audições: Cantou Por que não eu?, de Kid Abelha, o que motivou uma série de piadas entre Claudia, Lulu e Daniel na disputa por ele. Não aguentou a emoção e parou de cantar no meio. Levou puxão de orelha de Lulu por isso, mas não se intimidou e o escolheu como técnico.

Batalhas: Foi resgatado por Claudia após perder a batalha contra Pedro Lima, cantando Baby Can I Hold You, sucesso de Tracy Chapman.

Júlia Tazzi

Baiana, de 22 anos.

Audições: Também fez todos se virarem com Lady Marmalade, de Patti LaBelle. Gaguejando, escolheu Lulu e desceu rapidamente do palco para ganhar o abraço do seu técnico.

Batalhas: Enfrentou Rully Anne em Girl on Fire, sucesso de Alicia Keys. Perdeu, mas garantiu vaga no time de Claudia na repescagem.

Jullie

Capixaba, de 25 anos.

Audições: Cantou a música própria Gasolina, e fez as cadeiras de Lulu e Claudia virarem. Escolheu a técnica.

Batalhas: Venceu o duelo contra Carina Mennitto, na música Super Duper Love, da cantora Joss Stone.

Khrystal

Potiguar, de 32 anos.

Audições: Morô é a música própria que escolheu para cantar no último dia de audições. Brown, Daniel e Claudia a fizeram chorar quando se viraram. O primeiro a levou.

Batalhas: Perdeu a disputa contra Lucy Alves e foi salva por Claudia. Juntas, as duas cantaram Gostoso Demais e Isso Aqui tá Bom Demais, sucessos de Dominguinhos.

Maylssonn

Baiano, de 23 anos.

Audições: Cantou Separação, sucesso do grupo de pagode Exaltasamba, e conquistou Claudia, Lulu e Brown, praticamente juntos. Escolheu ela.

Batalhas: Protagonizou a controversa batalha com Xandy Monteiro, cantando Adeus, América, de João Gilberto, em ritmo de pagode. Mas venceu a batalha.

Sam Alves

Cearense, de 24 anos.

Audições: Arrebatou os quatro técnicos com When I Was Your Man, de Bruno Mars. Disse que seguiu o coração ao optar por Claudia.

Batalhas: Transformou a batalha em um lindo dueto com Marcelo Bueno, na música Thousand Years, sucesso de Christina Perri.

Sam Alves

Quando as cadeiras dos quatro técnicos se viraram nas audições às cegas, todos já sabiam que Sam Alves estava garantido na final da segunda temporada do The Voice Brasil. Conforme o programa avançava – e sua torcida crescia nas redes sociais – a vitória ficava mais perto. Até que se consumou fácil. Saiu do time de Claudia Leitte para gravar o primeiro CD pela Universal, com as versões apresentadas no programa e uma música autoral: Be With Me, que já teve clipe lançado no YouTube. Faz shows pelo Brasil e concorre ao Prêmio Multishow 2014, na categoria Experimente.

Gustavo Fagundes

O estudante de Medicina encantou técnicos e público não só pela voz, mas também pela beleza envolta em um belo par de olhos claros. Foi pupilo de Lulu Santos, acabou eliminado e resgatado por Claudia Leitte, mas caiu antes da final da primeira temporada da competição. Ainda assim, foi contratado pela Universal – a mesma gravadora que fecha com o campeão -, lançou um EP e foi eleito uma das apostas do ano pelo iTunes.

Dom Paulinho Lima

Arrebatou os quatro técnicos nas audições às cegas da segunda temporada, com a voz moldada para a black music. Avançou até a semifinal, quando o técnico Lulu Santos não perdoou erros na letra da música BR3 e decidiu cortá-lo – foi um dos momentos mais controversos do programa, com grande revolta dos fãs pelas redes sociais. Vida que segue, fechou com a gravadora do vencedor Sam Alves e ainda teve o CD lançado ao mesmo tempo.

Lucy Alves

Com a inseparável sanfona, Lucy Alves fez de suas apresentações uma reverência à música nordestina, e se tornou a queridinha do técnico Carlinhos Brown na segunda temporada. Chegou à final, mas foi superada por Sam Alves. Ao lado dele e dos outros dois finalistas, Rubens Daniel e Pedro Lima, correu o Brasil com a The Voice Tour. Foi contratada pela Universal e teve o CD lançado na mesma leva de Dom Paulinho Lima e Sam. Tem uma agenda movimentada de shows desde então.

Pedro Lima

Saiu de um concurso de cantar no chuveiro, promovido pelo Mais Você de Ana Maria Braga, direto para o palco do The Voice Brasil. Só viu a cadeira de Lulu Santos se virar, e encontrou no técnico o maior apoiador. Era um dos favoritos da segunda temporada, saiu em turnê pelo Brasil com os finalistas, mas viu a vitória ficar com Sam. Cruzou a Europa em uma série de shows e voltou ao país lançando uma canção inédita, Inverno.

Ellen Oléria

Foi a vencedora da primeira temporada do programa, o que lhe garantiu contrato com a gravadora Universal (além de um carro e 500.000 reais em dinheiro). O CD, lançado em julho de 2013 com participação do ex-tutor Carlinhos Brown em uma das faixas, arrebatou crítica e público. Tem clipe novo lançado este ano, para a música Córrego Rico. Antes de participar do reality, já havia gravado outros dois álbuns: Peça (2009) e Ellen Oléria e Pretutu ao Vivo no Garagem (2012).

Ju Moraes

Tinha só três anos de carreira quando chegou ao The Voice Brasil e escolheu compor a equipe de Claudia Leitte. Assinou contrato com a mesma gravadora da vencedora Ellen Oléria. Lançou o CD e DVD Em Cada Canto um Samba, com participações da ex-técnica e de Carlinhos Brown.

Danilo Dyba

Único homem a conquistar uma das oito vagas da final da primeira temporada do programa, vibrou quando o sertanejo Daniel bateu para ele nas audições às cegas. Manteve contato de perto com o técnico mesmo depois do programa, e chegou a abrir alguns shows dele. Assinou também com a Universal, para gravar o primeiro CD e já prepara o segundo álbum.

Ludmillah Anjos

Babado, Confusão e Gritaria era o bordão usado por ela no The Voice Brasil, e virou também o nome do seu CD. Ex-pupila de Carlinhos Brown, perdeu a vaga final para a campeã Ellen Oléria. Sempre foi mais reconhecida pelo show no palco do que essencialmente pela voz. Já cantou com Daniela Mercury e foi a atração principal de um festival de música brasileira na Europa.

Mira Callado

Era do time de Carlinhos Brown, mas foi por Cláudia Leitte que ela foi mais abraçada depois do programa – Mira Callado tem a carreira agenciada pela cantora. “Gosto muito dela e acredito no seu trabalho”, disse a técnica.