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‘180º’, protagonizado por Eduardo Moscovis, tem roteiro intrincado mas falho

A história de um triângulo amoroso entre jornalistas e o mistério da autoria de um livro que vendeu milhares de cópias são forçosamente relacionados

Nesta sexta, estreia 180º, o primeiro longa do carioca Eduardo Vaisman, elogiado na direção de curta-metragem. O filme, protagonizado por Eduardo Moscovis, Mallu Gali e Felipe Abib, venceu no ano passado o prêmio do júri popular do Festival de Cinema de Gramado. O crivo, no entanto, não é indicativo de qualidade. 180º conta a história do triângulo amoroso entre Russel (Moscovis), Anna (Mallu) e Bernardo (Abib), jornalistas de uma mesma redação, no Rio de Janeiro. O ponto de tensão entre os personagens vai além da relação esgarçada pela reformulação de casais — ex de Russel, Anna agora está com Bernardo, o autor de um best-seller. Diz respeito, isso sim, a esse livro que se tornou fenômeno de vendas e que vai se tornando aos poucos suspeito de plágio. A sinopse não é problema, nem a atuação dos atores: o que prejudica o filme é o roteiro frágil que o sustenta, que a direção de Vaisman não salva.

Em nova investida no cinema, Eduardo Moscovis foge do rótulo de galã

Anna, depois do fim do casamento com Russel, que decide se isolar em uma fazenda herdada do pai, larga a redação e abre uma pequena editora. É nesse cargo que ela recebe os originais de um romance escrito por Bernardo, cujo mote é ter sido criado a partir de uma caderneta encontrada no banheiro de um bar. A publicação do livro se torna ponto de partida para a relação dos dois.

Com o roteiro cheio de idas e vindas ao passado e ao futuro dos personagens, o espectador é obrigado a montar um quebra-cabeça para compreender em qual ponto a relação de Anna e Russel se esgarçou, quando Bernardo e Anna se tornaram amantes e de onde Bernardo tirou a ideia original do seu livro de sucesso. Uma trama intricada. E só.

Os fios do suposto plágio e a tensão entre os três não se ligam a contento. A solução para o mistério da caderneta é ingênua – ou assim o diretor faz parecer. O encontro dos três na fazenda em que Russel vive é menos crível ainda. A civilidade superficial entre eles não deixa margem para pensar que ali não aconteceria um enfrentamento e não se deixa entender. Patinando, o filme não se decide entre o suspense, o romance e o drama.

De tão confuso e enfadonho, deixa a impressão de que só uma desgraça na vida dos três poderia dar fim a tantos conflitos forçosamente criados. O problema é que se toma tempo demais do espectador até aí. Fica a impressão de ser como um livro que terminou antes de entregar o que prometia e no qual quase nada se justifica. Sequer o título escolhido.

Assista abaixo ao trailer do filme: