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Uso de tecnologia ainda é desafio para escolas

Pesquisa mostra que tecnologia não é usada para aprendizagem nas escolas públicas. Nas particulares, ferramentas são subutilizadas

Apesar de estar cada vez mais presente nas salas de aula, a tecnologia representada por celulares, tablets e computadores ainda impõe desafios para professores e alunos. Na rede pública, estudo mostra que os alunos não veem a presença de aparelhos tecnológicos como parte do seu processo de aprendizagem.

Segundo a tese de mestrado de André Toreli Salatino, da Faculdade da Educação da Universidade de São Paulo (USP), alunos do ensino médio de escolas na periferia da cidade de São Paulo fazem uso constante de aparelhos celulares na escola, mas, sem nenhuma orientação ou intervenção de seus professores, os aparelhos não são aproveitados no aprendizado. Para Salatino, a responsabilidade de criar situações de aprendizagem que incluam a utilização dos diversos aparelhos tecnológicos é do professor.

Segundo o pesquisador, as escolas recorrem à proibição e pouco fazem para reverter o mau uso dos aparelhos. “Temos que considerar que a proibição não retirou os aparelhos da escola”, diz o pesquisador. Ainda segundo a pesquisa da USP, a tecnologia poderia contribuir mais com a aprendizagem dos alunos se fosse utilizada para criar uma relação com o conteúdo das disciplinas estudadas.

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Na rede privada, a pesquisa Do Giz ao Tablet, documentada em vídeo pela consultoria em engajamento Santo Caos, mostra que muitas escolas não entendem como podem usar a tecnologia para potencializar a educação. “Por mais que tablets, lousas digitais ou ferramentas tecnológicas proporcionem alto potencial na sala de aula, eles são utilizados, na maioria das vezes, como mera apostila digital, apenas uma forma de acessar conteúdos que a escola disponibiliza”, diz Guilherme Françolin, sócio da Santo Caos. O levantamento mapeou o uso da tecnologia em oito escolas de São Paulo, sendo duas públicas e seis privadas, e reuniu mais de 100 horas de gravação com diretores, professores, pais e especialistas.

Segundo Françolin, os professores não apostam no uso da tecnologia para melhorar a qualidade da educação no país. De acordo com educadores ouvidos na pesquisa, o problema da má qualidade do ensino reside nos programas pedagógicos. “Os conteúdos passados visam apenas o ingresso dos jovens nas universidades e não melhor preparo para a vida adulta. A escola está focada apenas no conteúdo e a tecnologia não colabora para mudar esse modelo”, observa.

Françolin defende que as escolas trabalhem com mais clareza as competências que serão exigidas no mercado de trabalho e não apenas o ensino das disciplinas obrigatórias. Ainda de acordo com especialistas ouvidos pela pesquisa, as tecnologias devem ser consideradas apenas como uma ferramenta e ‘não a resposta para todos os problemas’.

(Com informações Agência USP)