Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Unifesp usa módulos de aço para abrigar laboratórios

Módulos eram destinados à moradia e custaram 1,05 milhão de reais

Sete anos depois de ser criado, o campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em Diadema, na Grande São Paulo, ainda enfrenta graves problemas de infraestrutura. Por falta de obras e necessidade de espaço, a instituição comprou onze módulos de aço, destinados originalmente à moradia, para abrigar laboratórios, batizados de ‘laboratórios de lata’ por servidores. Comprados em 2012, os módulos de 43 metros quadrados custaram 1,05 milhão de reais e estão subutilizados – apenas três estão em uso.

A compra ocorreu em 2012 e somente no fim do ano passado as ligações elétricas foram realizadas. Os laboratórios de lata estão na unidade José de Filippi, no Jardim Eldorado, região carente da cidade, onde são realizadas aulas práticas. Os módulos ficam espalhados pelo pátio da unidade e, segundo professores, não são adequados para a pesquisa. A Unifesp Diadema tem sete graduações nas áreas de química, farmácia, meio ambiente e biologia, além de cinco pós-graduações.

Por causa da falta de espaço, equipamentos de pesquisa estão estocados em caixas espalhadas pelos corredores. Há ainda banheiros interditados, com o aviso de ‘risco à saúde’, forros de teto caindo e falta de espaços nos laboratórios internos.

Leia também:

Novo caso de estupro em universidade: desta vez, na Unifesp

Pela quarta vez, Unifesp tenta construir edifício que deveria ter sido entregue em 2010

Reuni: atraso em obras ameaça excelência da Unifesp

Os serviços de manutenção e de alimentação estão interrompidos por falta de contrato. Segundo a reitoria, uma nova licitação para contratação dos serviços está sendo feita, mas a direção aguarda liberação orçamentária para assinar o contrato.

Para o presidente da Associação dos Docentes da Unifesp, Raul Boni Hernandes, as causas dos problemas são antigas. “Falta de planejamento é o resumo dessa história. Em sete anos, pouco aconteceu. Nos últimos anos teve dinheiro, mas não foi usado”, disse ele, que é professor do campus. “Claro que há prejuízos acadêmicos. Mas o esforço do corpo docente e o comprometimento dos estudantes têm sido determinantes.”

A reitoria defende que a compra dos módulos foi aprovada na Congregação da unidade e informou que há a previsão de iniciar no segundo semestre deste ano a construção do prédio principal do campus, que será na unidade do centro. As obras devem somar um total de 65.000 metros quadrados de área construída. “Diadema tem experimentado grande dificuldade de criar infraestrutura e completar seu projeto de expansão de atendimento”, informou em nota a universidade. A unidade seguiu um projeto de expansão ao longo dos anos e pulou de 900 vagas, em 2007, para 2.700 em 2014.

(Com Estadão Conteúdo)