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Professores decidem manter greve no Rio

Adesão não é suficiente para interromper funcionamento das escolas municipais. Protesto terminou em tumulto

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro - 28 Maio 2014, 19h22

Terminou sem acordo a reunião entre o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), em greve desde o dia 12 de maio, e a Secretária municipal de Educação, Helena Bomeny, na prefeitura do Rio. Os professores, que exigem aumento de 20%, farão uma assembleia na próxima sexta-feira para definir os rumos da greve, considerada ilegal pela Justiça desde a tarde de quarta-feira.

Durante a reunião, Bomeny requisitou ao Sepe documentos que justifiquem a necessidade das exigências da categoria, como o aumento pleiteado, que é mais de três vezes superior à inflação registrada nos últimos 12 meses, de 6,28%. Com o incremento salarial, um professor com carga horária de 40 horas, que tem salário de 4.147 reais, por exemplo, passaria a receber 4.976 reais – ou seja, um incremento superior ao valor do salário mínimo nacional, que é de 724 reais.

A greve ocorre nove meses após uma paralisação de 79 dias, marcada por protestos violentos e dificuldades de negociação em que foi preciso a mediação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, a categoria garantiu uma série de benefícios e aumento de 15,3%.

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Confronto – No início da tarde, houve confronto entre professores que esperavam o fim da reunião em frente à prefeitura e policiais. Cerca de 200 manifestantes invadiram a Avenida Presidente Vargas, uma das principais da região central do Rio. A polícia tentou dispersar os manifestantes e, diante da resistência, lançou bombas de gás para liberar a via.

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Houve correria e, durante o tumulto, uma professora foi detida. O protético Eron Morais de Melo, de 33 anos, que se veste de Batman durante as manifestações no Rio, foi ferido na cabeça. O gás invadiu a estação do metrô, na Cidade Nova, e provocou desespero entre os passageiros. Motoristas que estavam parados na via, devido à interdição, ficaram presos no meio da confusão.

Na página dos black blocs, os mascarados, que no ano passado receberam o “apoio incondicional” dos professores, prometeram revanche. “Estamos de olho, corruptos covardes. O round 2 está próximo”, diz uma publicação, que faz referência à professora detida e a excessos que teriam sido praticados por policiais.

Greve na rede federal – Neste sábado, pais e alunos do Pedro II farão uma manifestação contra a greve de professores da instituição federal, iniciada em 17 de maio. Os pais, que tradicionalmente apoiam os profissionais do colégio, desta vez discordam dos grevistas por considerar que trata-se de um movimento político. Uma das reivindicações dos professores é uma “auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública” e o “fim da precarização da Educação Federal”

“Em quatro anos, foram três greves. Percebemos que poucas são as reivindicações ligadas ao Pedro II. Nas greves anteriores, houve aumentos e profissionais foram contratados. Não acho, por exemplo, que minha filha possa ficar sem aula porque não querem que se pague a dívida pública”, disse a jornalista Isabela Mais, mãe de uma estudante do Pedro II.

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