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Mantega admite PIB menor em 2013

Ministro da Fazenda reafirma que governo não pretende adotar novas medidas de estímulos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta quarta-feira que “certamente” o governo vai rever para baixo a projeção de alta de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013. Essa é a proposta que consta no Orçamento de 2013. Mantega não quis fazer uma nova previsão e disse apenas que a economia brasileira começou o ano de 2013 “muito melhor do que no ano passado”. “Se tivermos trajetória semelhante à do ano passado, estaremos bem e poderemos atingir taxa (de crescimento) satisfatória este ano”, afirmou.

Com os resultados do PIB, Mantega reiterou governo não pretende adotar novas medidas de estímulos ao consumo e ao investimento porque as medidas já tomadas continuarão surtindo efeito, como o programa de concessão e a desoneração da folha de salários das empresas. “A desoneração começou em 2012, mas agora são mais setores que começaram em janeiro e, assim, igualmente para outras medidas cuja eficácia vai ser sentida ao longo do ano”. Ele lembrou ainda que alguns estímulos foram retirados no primeiro trimestre, de modo que o consumo não deverá ser o carro chefe da economia. “Queremos que seja o investimento e que tenha recuperação do investimentos”, afirmou o ministro ao comentar o resultado do PIB no primeiro trimestre.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, o PIB do primeiro trimestre do ano cresceu apenas 0,6% em relação ao quarto trimestre do ano passado, frustrando expectativas de analistas e do próprio governo.

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2012, o ano em que o PIB do Brasil não aconteceu

O ministro da Fazenda destacou ainda que o governo vai rever a projeção de PIB no próximo relatório de reprogramação orçamentária. “Certamente iremos rever quando fizermos o próximo relatório”. Segundo ele, é preciso “olhar” os trimestres sucessivos para fazer uma avaliação. “Não dá para olhar um trimestre só. Estamos no meio do segundo trimestre e os dados são muito bons, abril está fechado e quase todos os indicadores são positivos, como papelão ondulado”, avaliou.

Contudo, Mantega admite que o cenário da economia internacional está adverso, sem melhoras significativas, o que dificulta as exportações brasileiras, principalmente de manufaturados, que não cresceram. As exportações de bens e serviços apresentaram queda de 6,4%, enquanto as importações de bens e serviços subiram 6,3%. No quarto trimestre do ano passado, os dois itens haviam subido 6,1% e 8,4%, respectivamente. “Como crescemos mais do que boa parte dos países, significa que importamos mais e conseguimos exportar menos”, disse, tentando manter o tom otimista diante de um crescimento frustrante e o pior quadro exportador desde o primeiro trimestre de 2009.

Mantega destacou ainda o resultado da agropecuária, “excepcional” em suas palavras, ao crescer 9,7% no primeiro trimestre deste ano. “Isso se deve sobretudo à recuperação em relação à seca do ano passado e ao aumento da produtividade da produção agropecuária”, afirmou. “A crise internacional não prejudica a agricultura, porque ela exporta commodities de alimentos e, mesmo em crise, os países consomem alimentos”, completou.

No que tange à indústria, o ministro apontou que o crescimento negativo de 0,3% no primeiro trimestre foi puxado pelo setor de extração mineral, que teve crescimento negativo de 0,2%. Já o crescimento da indústria de transformação foi positivo, de 0,3%. “A indústria extrativa responde mais ao cenário internacional. E a indústria de transformação responde mais ao mercado interno, então está em trajetória de recuperação”, explicou.

Mantega avaliou ainda que a construção civil “também não teve bom desempenho” e admitiu que os serviços cresceram pouco no primeiro trimestre. Por fim, ao comentar sobre a formação bruta de capital fixo, o ministro disse que o investimento “sustentou a demanda” neste primeiro trimestre, ao crescer 4,6% no período.

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Cenário – Mantega disse que a atividade acelerou em abril e provavelmente em maio. Ele ponderou ainda que houve uma melhora do mercado de capitais, com vários lançamentos de IPOs, o que, na sua avaliação, mostra que a confiança no País está melhorando. O ministro ressaltou ainda que o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IED) para o Brasil é um dos maiores do mundo. Segundo ele, as captações das empresas no exterior estão indo muito bem. “Petrobras e Banco do Brasil, o mercado está vendo de forma mais positiva”, disse Mantega. Na sua avaliação, a bolsa brasileira no último mês teve comportamento bom, melhor que em outros países. “O ambiente econômico está melhorando no país”, avaliou.

O ministro da Fazenda afirmou ainda que o governo não pretende adotar novas medidas de estímulos ao consumo e ao investimento porque, segundo ele, eles já estão “todos em cima da mesa e as empresas estão aumentando seus investimentos”.

Mantega lembrou que alguns estímulos foram retirados no primeiro trimestre, de modo que o consumo não deverá ser o carro chefe da economia. “Queremos que seja o investimento e que tenha recuperação do investimentos”, afirmou o ministro ao comentar o resultado do PIB no primeiro trimestre.

(com Estadão Conteúdo)