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4G: a rede rápida, cara e que quase ninguém usa

Às vésperas da Copa das Confederações, evento que marca o início da operação da nova tecnologia no país, linhas habilitadas para o 4G correspondem apenas a 0,02% do total

Por Naiara Infante Bertão e Talita Fernandes - 9 jun 2013, 09h57

A uma semana do início da Copa das Confederações, a demanda por tecnologia de quarta geração da telefonia móvel, o 4G, ainda não deslanchou no país. A implantação está sendo feita em etapas, mas começou a valer a partir de 30 de abril nas cidades que receberão os jogos da Copa das Confederações, que começa no próximo sábado, 15 de junho.

A promessa é que o 4G permita uma navegação na internet com velocidade até dez vezes maior do que as redes 3G. Para a Copa das Confederações, a Anatel determina que as operadoras garantam 50% de cobertura 4G nos municípios que serão sede dos jogos – Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Para os mesmos municípios, a agência exige cobertura de 80% na cobertura de 3G. De acordo com calendário da Anatel, as cidades-sede da Copa do Mundo deverão receber a tecnologia até dezembro.

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Apesar de a tecnologia funcionar nos locais previstos, os números de adesão ainda são muito baixos. De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), 48,5 mil linhas de 4G estão habilitadas no país. Esse montante corresponde apenas a 0,02% do total de terminais de banda larga móvel habilitados em território nacional. A tecnologia 3G, por exemplo, corresponde atualmente a 24,% desse total, com 68,8 milhões de habilitações. A Telefonica Vivo afirma ter 29,4 mil clientes com a nova tecnologia e Claro divulgou o número de 20 mil assinantes. Consultadas, Tim e Oi não divulgaram a quantidade de clientes que aderiram à tecnologia.

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Como a tecnologia 3G no Brasil está longe de ser um exemplo de eficiência, a expectativa do mercado era de que os consumidores – tão logo percebessem os benefícios do 4G – aderissem com certa voracidade à nova rede. Contudo, o alto custo dos aparelhos habilitados são obstáculo para a adesão. Nos planos pré-pagos, o valor dos smartphones é superior a 1.000 reais e pode ultrapassar 2.500. Só é possível comprar telefones com tecnologia 4G mais baratos em planos pós-pagos, para os quais as operadoras oferecem desconto no aparelho. Contudo, os planos de utilização da rede não estão entre os mais acessíveis. Variam de cerca de 98 reais na Oi até 890 reais na Claro.

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Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, acredita que a adesão maior dos brasileiros ocorrerá apenas às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Segundo ele, o avanço da tecnologia no mercado global fará com que os preços dos aparelhos sejam reduzidos, devido à concorrência. E esse movimento deve chegar ao Brasil. “O número de usuários está alcançando agora 100 milhões no mundo, enquanto a telefonia móvel conta com mais de seis bilhões de usuários”, afirma o consultor.

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Frequência ruim – Além da baixa adesão no Brasil, outro impeditivo para o uso ampliado de 4G durante a Copa das Confederações está relacionado a questões tecnológicas. O país adotou a frequência de 2,5 gigahertz (GHz). Outros países usam a faixa de 700 megahertz (MHz), que é mais recomendada, mas, no Brasil, está ocupada em boa parte do território para a transmissão de TV analógica. A intenção do governo é desocupar essa frequência para que o país adote o padrão internacional a partir de 2015.

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A diferença de frequência dificulta, por exemplo, que um turista estrangeiro utilize seu smartphone com tecnologia 4G no Brasil, já que a maioria deles funciona apenas na frequência de seu país de origem. “O turista estrangeiro não deve nem mesmo esperar usar o 4G dele no Brasil”, explica Tude.

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Os problemas não param por ai. Mesmo quem compra celular no Brasil pode ter problemas para usar a rede 4G localmente. O iPhone 5, modelo mais recente do aparelho da Apple, não suporta a frequência de 2,5 GHz. “Adaptações só vão ser feitas pelos fabricantes se a adesão pela tecnologia for alta”, completa o analista.

Alerta – No final de abril, a associação de consumidores Proteste recomendou que os usuários de telefonia móvel não gastem dinheiro agora com 4G. “Não é aconselhável o consumidor investir em uma tecnologia ainda cara, compatível com poucos celulares e disponível em poucas regiões de algumas cidades”, disse a associação.

A Proteste e a Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET) questionam as ofertas comerciais para uma rede que está restrita a poucos locais. Em ofício enviado à Anatel, ambas entidades pediram esclarecimentos. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Anatel disse que o ofício já foi examinado pelo órgão e que uma resposta será encaminhada aos autores na próxima segunda-feira, 10.

(Com reportagem de Adriano Lira e Jéssica Otoboni)

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