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Porta dos Fundos chega com atraso ao debate das biografias. Mas chega bem

Em vídeo novo, grupo mostra como seria a biografia de Adolf Hitler, se ela fosse autorizada: sem menção ao Holocausto e com louvação ao bigode do nazista

Por Da Redação - 14 jan 2014, 18h40

Demorou, mas o Porta dos Fundos enfim tomou posição no debate sobre as biografias não-autorizadas, que em 2013 custou a medalhões da MPB como Chico Buarque, Caetano Veloso e Roberto Carlos, reunidos sob a associação Procure Saber, parte do brilho que costumavam ter junto à opinião pública. Em vídeo postado nesta segunda-feira no seu canal oficial, o grupo de humor conjectura como seria a biografia de Adolf Hitler, se ela fosse autorizada. Não haveria nenhuma menção ao Holocausto, é claro, mas, em compensação, o nazista seria apresentado como alguém que dita moda — no caso, a moda do bigode que ele imortalizou.

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“Eu adorei a biografia que você escreveu de mim”, diz no começo do esquete o Hitler de Gregório Duviviver ao biógrafo Hans de Marcos Veras. “Tem uma coisinha ou outra só que eu tiraria. Essa coisa dos judeus… parece que eu sou uma pessoa péssima, eu cortaria. Foca mais na Alemanha saindo da crise.”

“Você não acha que vai ficar muito chapa-branca?”, pergunta Hans. “Eu chamaria de família”, rebate Hitler.

Desde 2012, a Anel (Associação Nacional dos Editores de Livros) tenta tornar inconstitucionais, no Supremo Tribunal Federal (STF), os artigos do Código Civil que obrigam autores de biografias a pedir aval a personagens históricos retratados em seus livros ou a seus herdeiros. Além disso, um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe a alteração do texto. O assunto se tornou centro de um caloroso debate no ano passado quando a Procure Saber, no início na figura da empresária Paula Lavigne, entrou no debate contra os editores, acusando-os de mercenários e defendendo tanto a privacidade como a divisão dos ganhos com as obras.

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