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‘Palco não é palanque político’, diz curador artístico do Rock in Rio

Responsável pelas atrações do Palco Sunset e do novo Espaço Favela, Zé Ricardo rebate críticas 

Por Jana Sampaio - 28 set 2019, 23h03

Com os olhos vidrados na televisão de seu camarim, o curador Zé Ricardo acompanhou o show dos Titãs, uma das atrações deste sábado (28) no Palco Sunset, no Rock in Rio. Mais cedo, ele assistiu de perto a apresentação de Tico Santa Cruz, crítico do governo de Jair Bolsonaro, que declarou que “o Brasil vem passando por um momento de intolerância e ódio”.

Apesar de garantir que não existe nenhuma orientação da organização do festival sobre o assunto, Zé Ricardo acredita que o  palco não deve ser usado como palanque. “O artista tem pouco tempo de show, certo? Faz mais sentido ele escrever uma letra com teor político do que ficar discursando sobre o assunto. A forma de protestar tem que ser madura”, disse.

Desde 2011 à frente do Palco Sunset e estreando este ano como curador artístico do Espaço Favela, Zé Ricardo também rebateu as críticas recebidas pelo novo espaço, que reproduz uma comunidade carioca. “Até agora não vi uma crítica que fizesse sentido”, diz ele.

“As pessoas questionam o motivo de termos feito um palco específico para projetar artistas de favela dizendo que o morador de comunidade não frequenta o Rock in Rio, mas não consideram que empregamos 200 pessoas nesse espaço. Ninguém pensa também no morador da favela que assiste ao seu vizinho se apresentando em um festival como esse e, de certa forma, se sente representado”, argumentou.

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