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O Brasil descobre o milionário mercado das feiras de fãs

Em 2014, país teve pelo menos cinco eventos do tipo, que promove o encontro de artistas do cinema, de séries e de quadrinhos com seus admiradores, organizados por empresas que acabam de ser criadas de olho em um mercado que só em venda de ingressos movimentou 600 milhões de dólares nos EUA, em 2013. Para o ano que vem, há outros cinco previstos, com nomes como Tom Felton, de ‘Harry Potter’, e o elenco de ‘Once Upon a Time’ a caminho

Por Rafael Costa 27 dez 2014, 07h26

Berço das principais séries de TV e da maior indústria cinematográfica do mundo, os Estados Unidos exploram há mais de 70 anos uma vertente lucrativa e bem sucedida do universo do entretenimento que acaba de ser descoberta por brasileiros: as feiras para fãs, também conhecidas como Fandom Conventions. Em 2014, o país teve pelo menos cinco eventos do tipo, e há ao menos outros cinco previstos para 2015. As feiras de fãs, que incluem tanto convenções baseadas em séries e filmes quanto a famosa Comic Con, que existe desde 1970 e transformou San Diego (Califórnia) em uma espécie de epicentro da cultura pop mundial, promovem o encontro de fãs com seus ídolos e servem de plataforma para o lançamento e a divulgação de filmes, HQs e programas de TV. Pode parece pouco. Mas definitivamente não é. O mercado americano do gênero, modelo para os brasileiros que agora começam a empreender nessa área, movimentou cerca de 600 milhões de dólares em 2013 apenas com venda de ingressos, de acordo com levantamento da Eventbrite, empresa especializada em bilheteria de eventos.

Com as séries de televisão em seu auge e o cinema abraçando com gosto o universo dos quadrinhos, as Fandoms vivem o seu melhor momento. Segundo o levantamento da Eventbrite, a arrecadação das feiras de fãs tem crescido entre 20% e 30% ao ano desde 2007. A Comic Con de San Diego, sozinha, faturou cerca de 178 milhões de dólares em 2014. Não à toa, a feira tem exportado seu formato para o mundo todo, inclusive o Brasil, que neste ano teve dois eventos baseados no californiano: um menor, no final de novembro, e outro maior, no início de dezembro, que veio para ficar. Com 53 estandes de expositores como Sony, Marvel e Disney, e 80.000 visitantes que pagaram ingressos de 249 a 4.999 reais, a Comic Con Experience (CCXP) já confirmou duas novas edições, em 2015 e 2016, em São Paulo.

Apesar do bom desempenho da Comic Con em dezembro, é cedo para falar em lucro. “É um mercado novo. Estamos no momento de investir e nos firmar no mercado”, diz Marco Fernandes, diretor da produtora M2 Events and Media, empresa que realizou dois encontros de fãs neste ano, um com Nathaniel Buzolic, da série The Vampire Diaries, e outro com Phoebe Tonkin e Paul Wesley, atores respectivamente das séries The Original e The Vampire Diaries. “Ainda vamos fazer um ano de mercado e estamos caminhando para o nosso terceiro grande evento.”

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Com altos custos e ainda sem grandes patrocinadores, o ingresso acaba salgado. Para efeito de comparação, o ingresso mais em conta da Comic Con americana custa 35 dólares (90 reais), duas vezes e meia a menos que a entrada mais acessível da Comic Con Experience. Os tíquetes para a Vampire Attraction, feira com atores de Vampire Diaries programada pela Daydream para maio, vão custar de 120 a 1.260 reais.

Menu – O preço, no entanto, não é obstáculo para um público de aficionados, que chegam a chorar e gritar quando conseguem se aproximar de seus ídolos. É com a paixão do fã que as empresas de evento contam na hora de investir em astros como Paul Wesley, que fez meninas caírem em prantos dia 21 de dezembro, no Rio e em São Paulo. É também o trunfo das empresas na hora de convencer as estrelas a virem ao Brasil. “Muitos astros de séries e de filmes mantêm contato com o público brasileiro pela internet, e isso faz com que tenham maior interesse pelo país”, conta o diretor da M2 Events and Media, Marco Fernandes.

Mesmo assim, entre o primeiro contato feito pela empresa contratante e o encontro com os fãs, há um percurso longo e sujeito a aborrecimentos, como cancelamentos de última hora. Como muitos artistas têm compromissos com estúdios e campanhas publicitárias, a hipótese do cancelamento repentino, maior fantasma dos organizadores, nunca está afastada. Ela está, inclusive, prevista no contrato assinado para a feira – que também prevê um adiantamento de 15% a 20% do cachê. Em caso de o ídolo “furar”, a saída para as empresas é devolver o valor dos ingressos ou a diferença, se o fã topar trocar um evento por outro.

Para Ivan Costa, um dos sócios da Comic Con Experience, a escolha dos participantes é um ponto crucial, e fama não pode ser o único critério. “Alguns atores não gostam de tirar foto, dar autógrafo, interagir. Não adianta trazer um desses, por mais famoso que ele seja, porque os fãs não vão ter uma boa experiência”, explica Costa, que cita como exemplo de escolha bem sucedida o ator Jason Momoa, da série Game of Thrones. Além de participar com entusiasmo do Meet & Greet, Momoa literalmente “foi para a galera”, passeou pelos estandes, tirou selfies e interagiu com o público. Mesmo sem divulgar os números da feira, Ivan Costa conta que a Comic Con Experience foi bem, obrigada, e recebeu elogios de convidados como o presidente da New York Comic Con, Lance Fensterman, que deu uma palestra sobre negócios na feira.

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