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Matt Damon: ‘O que me assombra é Donald Trump’

Em entrevista ao site de VEJA, ator fala sobre a volta à pele de Jason Bourne, que enfrenta ameaças enormes, e garante: 'Desconcertante é Trump’

Por Mariane Morisawa, de Las Vegas Atualizado em 10 dez 2018, 10h17 - Publicado em 30 jul 2016, 13h28

Há nove anos, Jason Bourne, interpretado por Matt Damon, sumiu do mapa, na ficção e na realidade, depois de mudar oi universo dos filmes de espionagem com três produções: A Identidade Bourne (2012), dirigido por Doug Liman, A Supremacia Bourne (2004) e O Ultimato Bourne (2007), ambos comandados pelo inglês Paul Greengrass. Em 2012, Jeremy Renner assumiu a franquia em O Legado Bourne, e ninguém ligou. Mas agora o super agente está de volta de seu exílio em Jason Bourne, que volta a reunir Matt Damon e Paul Greengrass na franquia.

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O filme começa com Bourne dando a cara para bater em lutas clandestinas que mais parecem uma autopunição do que uma forma de ganhar dinheiro e derrotar adversários – e servem para mostrar a magnífica forma física a que o ator chegou, em cenas sem camisa. “Sempre evitamos cenas desse tipo, de tirar a camisa, mas aqui achamos que era como uma carta de intenções, para mostrar que o cara está vivendo de uma maneira dura, que ele tem sofrido. E nós todos voltamos a essa franquia com a determinação firme de fazer o melhor filme possível”, conta Damon em entrevista ao site de VEJA. Nicky (Julia Stiles), um dos seus antigos contatos na CIA, que também foi obrigada a sumir e hoje é uma hacker, consegue encontrá-lo depois de descobrir mais coisas sobre o passado do espião. Começa, então, uma gincana pelo mundo para descobrir a verdade, enquanto a própria CIA está no encalço de Bourne, na forma do diretor Robert Dewey (Tommy Lee Jones), que controla o personagem chamado apenas de “Contato”, um assassino perigoso interpretado com gosto por Vincent Cassel.

São novos tempos e, na agência, Dewey precisa da ajuda da jovem agente Heather Lee (Alicia Vikander, vencedora do Oscar de atriz coadjuvante este ano por A Garota Dinamarquesa). Lee é uma especialista em tecnologia e, ambiciosa, acredita que consegue trazer Jason Bourne de volta para a CIA. Ela representa o novo mundo, enquanto Dewey, com olhar cansado e técnicas por vezes brutais, é o velho. 

O que me deixa mais desconcertado? Você me faz essa pergunta quando o Donald Trump é um candidato presidencial? Vou te dar uma chance de acertar! Estamos vivendo tempos desconcertantes. Mas é o que é. Essa é nossa realidade, e a gente precisa lidar com ela.

Outra peça-chave é o dono de uma companhia de tecnologia (o ótimo Riz Ahmed, da série The Night of), pressionado por Dewey a disponibilizar os dados de seus bilhões de usuários. Como sempre, Paul Greengrass aposta no realismo, usando uma câmera urgente e temas atuais. O filme começa no meio de um protesto em Atenas, com aquelas cenas de multidão que parecem impossíveis de realizar e que o diretor faz tão bem. E coloca no centro da trama a discussão extremamente pertinente sobre privacidade e liberdade – Heather é capaz de apagar os dados de um computador com a ajuda de um celular, por exemplo. Parece uma cena saída do documentário Zero Days, de Alex Gibney, exibido no Festival de Berlim, sobre um vírus criado para atrasar o programa nuclear do Irã.

Impressiona como Paul Greengrass consegue manter duas horas de ação ininterrupta – normalmente, os filmes de ação têm momentos de tédio. Culmina com uma sequência de perseguição em Las Vegas espetacular, embora um pouco fora do tom realista que ele sempre imprimiu a Bourne. E Matt Damon envelheceu bem com o personagem, que quase não tem falas aqui.

No período em que esteve afastado de Jason Bourne, Damon, 45, não teve problemas em sua carreira. Trabalhou com Clint Eastwood duas vezes, em Invictus e Além da Vida, sendo indicado ao Oscar de coadjuvante pelo primeiro, com os irmãos Coen em Bravura Indômita), com Steven Soderbergh em O Desinformante!, Behind de Candelabra e com Ridley Scott em Perdido em Marte, pelo qual concorreu mais uma vez ao Oscar, agora na categoria principal. Sua vida hoje é completamente diferente de quando começou a série – casado com a argentina Luciana Barroso, tem quatro filhas. É dono de uma produtora com o amigo de infância Ben Affleck e co-fundou a Water.org, que procura soluções de água potável para comunidades em risco.

O ator atendeu a reportagem do site da VEJA perto das 22h, em Las Vegas, para aproveitar o visual. Estava visivelmente cansado e pediu um vinho tinto antes de começar (o copo chegou logo depois do término da conversa), mas, como sempre, manteve o bom humor. Na entrevista, falou sobre as dificuldades de entrar em forma aos 45 anos, por que resolveu tirar a camisa desta vez e dos perigos da vida digital – e de Donald Trump.

https://www.youtube.com/watch?v=w5hgux4-HEo

 

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