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Grécia aumentará pressão para Reino Unido devolver relíquias saqueadas

Em batalha que já dura décadas, país vê momento propício para reclamar mármores tirados do Partenon e que há dois séculos estão no Museu Britânico

Por Marcelo Canquerino Atualizado em 18 jan 2022, 17h53 - Publicado em 18 jan 2022, 17h34

Em meio a sinais positivos da opinião pública britânica, a Grécia irá aumentar a pressão para que o Reino Unido devolva a Atenas peças de mármore roubadas do Partenon que datam do século V a.C. Recentemente, grande parcela dos britânicos mostrou-se a favor da reunificação pretendida pelo governo grego — que luta para recuperar as obras há décadas.

O Museu Britânico, localizado em Londres, abriga monumentos do Partenon há mais de dois séculos. A maneira como a coleção foi parar nas terras da rainha Elizabeth II é controversa. Desde o começo dos anos 1980, quando a ex-ministra da cultura grega Melina Mercouri exigiu pela primeira vez que as peças fossem devolvidas, o governo do país alega que as antiguidades foram roubadas durante uma época em que a nação estava sob domínio otomano. As relíquias, também conhecidas como Mármores de Elgin, foram retiradas do Partenon a mando do Lorde Elgin, diplomata britânico no Império Otomano, em 1801, e posteriormente vendidas ao Museu Britânico.

De acordo com um levantamento realizado pelo YouGov, empresa britânica de pesquisa de mercado, 59% dos britânicos disseram acreditar que as antiguidades do Partenon pertencem à Grécia. Além da sociedade do Reino Unido, a campanha para a devolução das obras mostrou estar surtindo efeito com uma reviravolta inesperada: o apoio do tradicional jornal The Times. A publicação, que sustentou por mais de 50 anos que as peças deveriam permanecer em Londres, agora defende que elas devem ser restituídas ao país de origem.

Alimentando o otimismo da Grécia na busca por recuperar suas relíquias, a nação teve uma vitória na semana passada, quando a Itália devolveu um fragmento do Partenon ao país. A peça, esculpida há 2 500 anos e agora exibida no Museu da Acrópole, retrata o pé de Ártemis, deusa da caça, sob uma túnica. “Este acordo abre caminho para que o Museu Britânico entre em discussões sérias com as autoridades gregas para encontrar uma solução que seja mutuamente aceitável”, disse o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis. A negociação, inclusive, foi mencionada pelo Times como um “caso convincente” para as restituições. 

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Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, era a favor da repatriação quando mais jovem — opinião que se alterou drasticamente quando entrou para a política. Johnson diz que as obras do Partenon foram adquiridas legalmente e, assim como seus antecessores, afirmou que essa disputa deveria ser dirimida com os curadores do Museu Britânico, apesar de a própria Unesco já ter dito que o assunto precisa ser resolvido entre os governos. Em seu site, o museu corroborou as falas de Boris Johnson.

Até o momento, o governo da Grécia rejeitou a possibilidade de uma ação legal, optando por outros caminhos. “Estamos prontos para oferecer ao Reino Unido exposições rotativas de antiguidades que nunca foram vistas no exterior”, disse Tasos Chatzivasileiou, parlamentar que é o principal conselheiro de política externa do primeiro-ministro grego. “Dissemos a eles que suas salas no Museu Britânico nunca estarão vazias de tesouros gregos. Queremos resolver esse problema de uma vez por todas.”

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