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Em 2021, Adele foi a salvação de uma velharia: o disco

Com seu álbum '30', lançado em novembro, cantora britânica foi a única a vender mais de 1 milhão de cópias físicas de disco no ano passado

Por Felipe Branco Cruz 26 jan 2022, 16h20

Lançado em novembro do ano passado, o 4º álbum autoral de Adele, 30, foi o de pior desempenho da carreira da artista até agora. Com pouco mais de 1 milhão de cópias vendidas nos Estados Unidos, o disco ficou muito longe das 22 milhões de cópias alcançadas por 25, de 2015. Mesmo assim, o álbum, lançado quase no apagar das luzes de 2021, se transformou no mais vendido de um ano em que nenhum outro trabalho alcançou a marca de 1 milhão de cópias vendidas, segundo uma reportagem da Bloomberg. O curioso paradoxo diz muito sobre as estratégias de Adele – e ilumina também a transformação da indústria da música ao longo da última década.

Não foram poucas as mudanças nesse cenário entre o início do fenômeno Adele e seu momento atual. Mas uma delas revela-se mais drástica: com sua miríade de opções para serem ouvidas à la carte em playlists online, o streaming tornou obsoleto o próprio conceito de álbum autoral. Em 2011, quando a cantora lançou seu primeiro trabalho, pelo menos dez álbuns venderam mais de 1 milhão de cópias nos Estados Unidos. Nos últimos anos, além de Adele, apenas Taylor Swift conseguiu ultrapassar a marca.

Adele, como se sabe, é talvez a última entre as grandes cantoras pop a brigar com unhas e dentes pela sobrevivência do formato clássico de álbum – um repertório com começo, meio e fim, permeado por um conceito. Sua teimosia nesse sentido, aliás, acabou se refletindo até no nostálgico mercado dos jurássicos discos em vinil. Segundo o jornal The Guardian, somente no Reino Unido foram vendidos 5 milhões de unidades de bolachões em 2021, um aumento de 8% se comparado com o ano anterior. Desse montante, os maiores vendedores foram, justamente, Adele e a banda sueca Abba.

Para atingir esse público que gosta de comprar discos, mas também aqueles que só vão ouvir suas canções rasgadas no streaming, a estratégia de divulgação de 30 foi híbrida. Há seis anos, Adele esperou sete meses até lançar 25 disco no Spotify e outras plataformas. Algo inimaginável hoje. Dessa vez, o lançamento físico foi simultâneo com o digital – ainda assim, ela evitou lançar singles (exceto por Easy on Me), para divulgar todas as músicas de uma vez só.

Quando se olha apenas o streaming, o álbum 30 apresenta números relevantes, tanto no Spotify quanto no YouTube, e ostenta faixas entre as mais ouvidas do ano. Mas o novo disco não ocupou a primeira colocação nesses meios de consumo musical. Moral da história: nunca se ouviu tanta música, mas a era dos arrasa-quarteirões está, aparentemente, com os dias contados. Vivemos um momento de abundância de música nas plataformas digitais, e com ela vem a fragmentação. Ouve-se muito de tudo, ao contrário de um passado em que se ouvia a mesma coisa, muitas vezes. Resta saber se Adele se renderá a essa nova realidade – ou se permanecerá segurando a tocha de última grande heroína das vendas de álbuns.

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