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Del Toro sobre Bolsonaro: ‘Regimes autoritários tentam silenciar cultura’

O diretor falou a VEJA sobre o filme 'O Beco do Pesadelo' e a força dos cineastas mexicanos em Hollywood

Por Raquel Carneiro Atualizado em 28 jan 2022, 09h34 - Publicado em 28 jan 2022, 06h00

Sua obra é repleta de monstros em tramas de fantasia. Por que a guinada realista agora em O Beco do Pesadelo? Meus monstros são alegorias, eles são humanos disfarçados. Agora, quis tentar algo mais brutal e real. O filme é uma parábola sobre as mentiras que contamos para nós mesmos e como elas nos descolam da realidade.

O filme fala de seres humanos falhos e excluídos. É seu tema favorito? Sim. Gosto muito da ideia do circo como lugar acolhedor onde todo tipo é bem-vindo. Em contraste, o protagonista transita em uma sociedade dita civilizada, mas que, no fundo, é brutal e cheia de ardis. No circo, avisam que tudo é ilusório. Na cidade, mentem sobre suas reais intenções.

Leia mais: A mudança notável dos monstros de Guillermo Del Toro em ‘Beco do Pesadelo’

Ganhar o Oscar ajudou a atrair estrelas de Hollywood? No mínimo, não atrapalhou. Neste filme, cada papel foi escrito para aqueles determinados atores, e todos toparam. A alma do projeto é o Bradley Cooper, em um universo e com um diretor que não são comuns aos filmes que ele faz.

Nos anos 1980, a Cinemateca do México pegou fogo e, como reação, surgiu um prolífico movimento de diretores mexicanos de êxito mundial. O que permitiu isso? Naquela época, com José López Portillo na Presidência do país, o clima era anticinema, anticultura. Viramos um grupo de excluídos e nos unimos para mudar o modo como o cinema mexicano era feito. É parte da natureza humana querer fazer o que lhe dizem que é proibido.

O Brasil vive um clima parecido hoje. A Cinemateca de São Paulo é tratada com descaso do governo federal e pegou fogo. Soube disso? Fiquei sabendo. Regimes autoritários tentam silenciar a cultura, pois ela não é domesticável. O cinema brasileiro tem diante de si a luta por uma nova identidade para sobreviver. Não podemos aceitar calados: o cinema fala alto e deve incomodar.

Publicado em VEJA de 2 de fevereiro de 2022, edição nº 2774

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