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Claudia Raia: “Tarsila rompeu barreiras do machismo e destacou minorias”

Vivendo a artista em aclamado musical, a atriz diz que tem temperamento oposto ao da pintora modernista, papel que escolheu a dedo

Por Amanda Péchy Atualizado em 8 Maio 2024, 12h33 - Publicado em 8 mar 2024, 06h00

A crítica diz que a senhora mimetiza Tarsila. Em algum grau, se parecem? Somos duas figuras opostas. Meu jeito é expansivo, barulhento, enquanto Tarsila era introspectiva, soturna. Precisei estudar horas a fio para entendê-­la, inclusive com a ajuda de cartas que Tarsilinha, sua sobrinha-neta, me enviou. Não a conhecia, mas foi ela que me procurou para fazer o musical, em 2020, dizendo que eu seria a única atriz capaz de traduzir a força da pintora. Foi o maior de todos os desafios em minha carreira.

No centenário da Semana de 22, os modernistas viraram alvo por supostamente reproduzir aquilo que afirmavam combater: racismo e elitismo. Concorda? Não. Estamos falando de 1922. Os artistas àquela época estavam à frente de seu tempo. Tarsila foi atacada por ser uma milionária branca da elite cafeeira, mas quebrou barreiras do machismo e colocou minorias sob os holofotes, com seus pincéis, contribuindo para avanços sociais que viriam nas décadas seguintes.

Por que faz questão de mencionar ao fim de cada apresentação que a peça é financiada pela Lei Rouanet? Falo para desmentir as fake news que acusam artistas de se aproveitarem da lei sem trabalhar duro. Esta é uma demonização das piores que já se disseminaram no meio artístico, propagada no governo Bolsonaro. Dizem que o presidente Lula me deu milhões de reais. Pois nem o conheço e nunca fui petis­ta, embora tenha votado nele. Artistas não são bandidos.

No espetáculo, seu marido, Jarbas Homem de Mello, interpreta o escritor Oswald de Andrade. É difícil essa convivência toda? Na verdade, é bom. Ganhamos tempo juntos em meio ao corre-corre e conversamos melhor. Ele, que é um cara tranquilo, me faz diminuir o ritmo e manter os pés mais fincados no chão.

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Sua gravidez gerou debate nas redes, por ter ocorrido aos 55 anos. Sentiu-se julgada? Sim. Vivemos numa era em que ninguém hesita em apontar o dedo para o outro. De certa maneira, tirei da zona de conforto mulheres na fase da menopausa. Mostrei que ter mais de 50 não significa ficar sentada no sofá, esperando a vida passar. Não é que todas devam ter filhos, mas minha gravidez provou que ainda é possível embarcar em aventuras e traçar planos de longo prazo nessa faixa etária.

Não cogita pisar no freio para ter mais tempo com seu filho, Luca, de 1 ano? De forma alguma. Sempre fiz de tudo para estar com Enzo e Sophia, meus filhos mais velhos, quando eram pequenos. Mesmo assim, pegava quatro, cinco trabalhos de uma vez. Agora, na maturidade, tenho uma visão mais seletiva e escolho a dedo no que vou investir o tempo. Tarsila certamente vale cada segundo.

Publicado em VEJA de 8 de março de 2024, edição nº 2883

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