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Clássico ‘1984’, de George Orwell, ganhará versão feminista

Livro distópico de Sandra Newman foi autorizado pelo espólio e pelo filho do autor britânico, e deve ser lançado em 2022

Por Amanda Capuano Atualizado em 7 dez 2021, 19h00 - Publicado em 7 dez 2021, 16h01

O clássico 1984, lançado por George Orwell em 1949, ganhará uma versão “feminista” sob a perspectiva de Julia, namorada do protagonista Winston Smith. Segundo noticiado pelo jornal The Guardian, os responsáveis pelo espólio do escritor inglês, assim como o seu filho, Richard Blair, autorizaram a obra da escritora Sandra Newman. Eles informaram que estavam “procurando já há algum tempo” por um autor que contasse a história da amante de Smith, e que Newman “provou ser o encaixe perfeito”.

Clássico das distopias, 1984 se passa em um então futuro – hoje passado – em que a Inglaterra, conhecida como Airstrip One, faz parte do totalitário estado de Oceania, onde a entidade máxima do governo – o famoso Big Brother – vigia e controla tudo e a todos. Protagonista da história,  Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade, onde reescreve o passado para que ele se encaixe na narrativa do governo. No meio da história, ele inicia um caso secreto com Julia, que trabalha na seção de escrita de ficção, mas os dois são capturados e enviados para um processo de reeducação. Na nova versão, Julia assume a narrativa da história, oferecendo uma nova perspectiva à irretocável alegoria do autoritarismo.

“Foi o homem dos Registros quem começou tudo isso, com seu jeito desavisado,  severo e antigo de pensar. Ele era aquele que Syme chamava de ‘Velha miséria'”, escreve Newman em trecho revelado pela publicação. “Camarada Smith era seu nome certo, embora ‘Camarada’ não fosse adequado para ele de alguma forma. É claro, se você se sente um tolo chamando alguém de ‘Camarada’, é melhor não falar com ele.”

Até o momento, os detalhes sobre a obra são escassos. Em entrevista ao The Guardian, a editora Granta, que publicará o romance, contou que Julia compreende o mundo de Oceania “muito melhor do que Winston” e que, ao contrário dele, “está essencialmente feliz com sua vida.” Como coloca o próprio Orwell em 1984, “em alguns aspectos ela era muito mais perspicaz do que Winston e muito menos suscetível à propaganda do Partido”, mas não se mostrava interessada em ir contra as autoridades e “só questionou os ensinamentos do partido quando eles, de alguma forma, afetaram sua própria vida.”

A situação, nesse caso, se refere ao romance proibido entre os dois, que faz a mulher mudar de atitude. “Ela é oportunista, não acredita em nada e não se importa em nada com a política. Ela rotineiramente quebra as regras, mas também colabora com o regime sempre que necessário. Ela é uma cidadã ideal de Oceania ”, disse a editora. “Mas um dia ela caminha em direção a Winston Smith em um longo corredor e, impulsivamente, entrega a ele um bilhete – em um gesto potencialmente suicida – e percebe que está perdendo o controle e não pode mais navegar com segurança nesse mundo.”

Assim, além de oferecer uma nova perspectiva à história, o novo livro pretende responder perguntas deixadas em aberto no original – como o que, afinal, Julia vê em Winston que a fez arriscar a própria vida, e como ela foi capaz de se infiltrar e navegar pela hierarquia do partido. “Os milhões de leitores que foram despertados por 1984 vão achar neste livro um complemento provocativo e satisfatório,” disse o editor literário do espólio, Bill Hamilton.

Ainda não se sabe se ou quando a obra chegará no Brasil. Lá fora, Julia deve ser publicado depois do lançamento do próximo livro de Newman, The Men – distopia feminista em que todas as pessoas com cromossomo Y desaparecem do mundo -, agendado para junho.

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