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A VEJA, Roger Scruton expôs sua visão sobre imigração, ambientalismo e UE

Oito anos depois da entrevista, temas abordados pelo filósofo conservador seguem atuais – assim como suas ideias; relembre

Por Da Redação - 13 jan 2020, 11h36

O filósofo conservador Roger Scruton, que morreu no domingo 12, aos 75 anos, concedeu uma entrevista às Páginas Amarelas de VEJA em setembro de 2011. Apesar dos oito anos e quatro meses que separam as duas datas, os temas abordados pelo escritor inglês na conversa continuam mais atuais do que nunca – imigração, ambientalismo e crise da União Europeia, entre outros. As ideias de Scruton também não perderam força com o tempo. Ao contrário, seus posicionamentos estão em parte representados em diversos governos de direita que chegaram ao poder desde então.

Confira trechos da conversa e leia aqui, no Acervo Digital de VEJA, a entrevista completa:

Tema: Imigração

Por que segue atual: A guerra da Síria contribuiu para uma crise de refugiados que atingiu o seu ápice em 2015. O fenômeno provocou uma reação anti-imigração que fortaleceu partidos da direita nacionalista na Europa.

O que disse Scruton: “Não sou contra a imigração. Minha opinião é que os imigrantes só se adaptarão a um país se forem incorporados legal e culturalmente à nação que os recebe. Para que isso dê certo, os forasteiros precisam superar o sentimento de distância que eles possuem em relação ao novo país. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos, no passado. Os países europeus fazem justamente o oposto ao incentivar o multiculturalismo: encorajam as comunidades de estrangeiros a manter sua cultura e identidade, a não se misturar. Dessa forma, os imigrantes passam a se definir como diferentes, afastados, excluídos da comunidade, o que só faz crescer as tensões entre os grupos étnicos.”

Tema: Ambientalismo

Por que segue atual: A luta contra o aquecimento global, representada hoje em dia pela ativista sueca Greta Thunberg, se tornou uma das grandes preocupações mundiais. Ao mesmo tempo, céticos das mudanças climáticas negam a ação do homem no fenômeno e acusam os ambientalistas de alarmismo.

O que disse Scruton: “O problema é que a questão ambiental foi parar nas mãos erradas. A esquerda transformou a proteção do meio ambiente em uma causa, em um movimento que necessita de intervenções estatais, em um assunto no qual há culpados e vítimas. No caso, os culpados são os capitalistas e a vítima é o planeta. A esquerda adora o culto à vítima.”

Tema: União Europeia

Por que segue atual: As críticas aos mecanismos do órgão culminaram em 2016 no Brexit – a decisão da população britânica em referendo pela saída do Reino Unido do bloco. Batizados de eurocéticos, os opositores acusam a UE de ameaçar soberanias nacionais e já são uma força política consolidada no continente.

O que disse Scruton: “Como impor a mesma moeda, o mesmo sistema e o mesmo modo de vida ao alemão trabalhador, cumpridor das leis, respeitador da hierarquia, e ao grego fanfarrão e avesso às normas? Arrisco-me a dizer que a União Europeia é um fracasso porque contém as insanidades institucionais do velho experimento comunista. Assim como o comunismo soviético, a União Europeia é um objetivo inalcançável, pois foi escolhido pela sua pureza, que exige que todas as diferenças sejam atenuadas, os conflitos superados, e no qual a humanidade deve se encontrar como que sob uma unidade metafísica que jamais pode ser questionada ou posta à prova.”

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