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A primeira live de Ana Carolina: frio na barriga e apoio da namorada

Estreando nos shows virtuais nesta sexta 15, cantora fala a VEJA sobre exposição da intimidade ao vivo e dos cuidados por ser do grupo de risco da Covid-19

Por Eduardo F. Filho - Atualizado em 15 Maio 2020, 14h42 - Publicado em 15 Maio 2020, 11h29

Uma das vozes mais potentes da Música Popular Brasileira está sentindo frio na barriga como se fosse a primeira vez que sobe aos palcos. Aos 45 anos, Ana Carolina resolveu engrossar a onda das lives na pandemia de Covid-19, diretamente da sala de estar da sua casa no Rio de Janeiro. “Isso me lembra os meus 10 anos, quando colocava os discos da Rita Lee para tocar e subia no sofá com uma escova de cabelo fingindo ser o microfone e cantava imaginando um público enorme na minha frente”, diz ela em entrevista a VEJA. Reservada em relação à sua vida privada, a cantora ainda se acostuma com a ideia de abrir a intimidade para tantos desconhecidos por meio da internet. O show virtual – que acontecerá nesta sexta-feira, 15, às 21 horas, pelo canal da cantora no YouTube – será bem diferente das lives robustas e espalhafatosas de outros artistas, como Gusttavo Lima e Alok. Ela promete algo mais intimista e reservado.

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A maior parte do show terá Ana Carolina no violão e guitarra, acompanhada do músico Thiago Antoni. Talvez – se a “negociação caseira” der certo – a namorada, Chiara Civello, dará as caras ao vivo. No repertório, músicas compostas por artistas de quem Ana Carolina é fã: Guilherme Arantes, Martinho da Vila, Rita Lee e Seu Jorge. Tudo misturado, claro, aos grandes sucessos da artista mineira: Quem de Nós Dois, É Isso Aí, Garganta, Pra Rua Me Levar, Problemas, além do mais recente Não Tem no Mapa, de seu último álbum, Fogueira em Alto Mar. A seguir, a entrevista:

Ana Carolina prepara um repertório na guitarra e no violão
Ana Carolina: repertório na guitarra e no violão Pedro Dimitrow/.

Qual a expectativa para sua primeira live da carreira?

Eu me sinto como se estivesse em meu primeiro show de novo. Eu jamais poderia imaginar que a esta altura teria de fazer algo que eu nunca fiz. Que eu pudesse sentir esse frio gostoso na barriga. Isso me lembra dos meus 10 anos, quando eu colocava os discos da Rita Lee para tocar e subia no sofá com uma escova de cabelo fingindo ser o microfone e cantava imaginando um público enorme na minha frente. Olha como a vida dá voltas… Não vou ter o meu público ali, o olho no olho, o toque das mãos, vou imaginar todo o meu público na minha frente e cantar como se eu tivesse 10 anos, olhando para o sofá.

Como enxerga o papel dos shows virtuais em meio à pandemia?

Eu estou achando tudo isso sensacional. Estamos em casa, com a família, em um momento de lazer. Bateu aquela sexta, sábado, não podemos encontrar com os amigos, sair para papear. Liga a televisão, celular, computador para ver o show de um artista de que você é fã – e de graça? É maravilhoso. Eu me tornei fã. Saio do estúdio aqui de casa e, quando fico sabendo que vai ter live de alguém, corro para ficar grudada na televisão. Assisti a quase todos. Adorei a Marilia Mendonça. Acredito que seja por isso que eu esteja tão nervosa para fazer a minha. Nem sei para onde eu olho, para onde mandar beijo, a voz, mas pode ter certeza que eu vou descobrir e aprender.

Você sempre foi muito reservada sobre sua vida privada. Como está sendo abrir a porta de sua casa para o Brasil?

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Eu não sei como fazer isso, eu nunca fiz isso. Eu acho que só vou entender quando falarem: “estamos ao vivo”. Aí eu vou saber que é hora. Eu vou mostrar a sala da minha casa, onde eu junto amigos para saraus. Já estiveram aqui John Legend, Carlinhos Brown, muita gente mesmo. Minha intimidade vai estar exposta para as pessoas. É tudo muito íntimo. Isso é uma coisa positiva, porque eu vou poder mostrar para as pessoas um outro lado da Ana Carolina que as pessoas não conhecem. Eu sempre quis muito que o meu público se aproximasse mais de mim e acredito que esta é a oportunidade perfeita.

'Me sinto de volta aos 10 anos', revela Ana Carolina sobre nervosismo
‘Me sinto de volta aos 10 anos’, revela Ana Carolina sobre nervosismo Pedro Dimitrow/.

Você embarcou em uma rotina de ensaios de mais de 12 horas, mas com uma diferença muito importante: pela primeira vez, sua namorada, Chiara Civello, está sendo a diretora artística. Como tem sido essa parceria para a live?

Nós sempre fomos muito parceiras, principalmente na parte musical. Esses dias estávamos de bobeira em casa e começamos a cantar uma música. Uma pessoa do lado de fora, que estava passando, gritou: “Amooo!” Eu queria muito saber quem era. Eu estou tentando convencê-la a participar da live comigo. Ela toca piano muito bem e eu gostaria de cantar e tocar algumas músicas com ela. Acredito que vai acontecer, mas estamos em uma negociação caseira muito séria.

As lives foram logo de cara dominadas pelos sertanejos. Agora, a MPB está colocando o time de artistas em campo. Acredita que essa entrada foi um pouco tardia?

Eu acredito que tenha lugar para todos os estilos. Não existe problema um entrar mais cedo e outro mais tarde. A classe artística é unida e eu encaro isso com muito gosto. O que eu estou percebendo recentemente, e fico muito feliz com isso, é a força feminina no sertanejo. Marilia Mendonça, por exemplo, canta minhas músicas, canta MPB, canta sertanejo, ela mistura todos os ritmos. E mais que isso: escreve todas as músicas dela. Eu gosto muito de saber que há um mercado crescente de jovens mulheres cantoras e compositoras. Mostra que as mulheres estão escrevendo aquilo que querem cantar, têm autonomia para dizer o que quiserem. Estão se expressando, e isso é muito lindo. Gosto de saber que eu sou a contemporânea dessas mulheres, independente do ritmo que elas cantam.

Um dos grupos de risco do novo coronavírus são as pessoas que têm diabetes, como é seu caso. Como tem cuidado da saúde durante a pandemia?

Estou bem quietinha em casa, isolada mesmo. Sair, nem pensar. Minha mãe, que mora comigo, também é do grupo de risco, ela tem 83 anos. Então, eu cuido não só de mim, me preocupo com ela também. Cuidar da glicemia é uma coisa muito importante. Com a minha taxa controlada, eu posso ter os mesmos riscos de uma pessoa que não tem diabetes. Se eu deixar as taxas elevadas, eu corro muito risco, por isso tomo cuidado. Estou sempre olhando, medindo o açúcar, faço rigorosamente o tratamento. Nós precisamos controlar, com ou sem pandemia. Muitas pessoas não estão respeitando o isolamento. Estão achando que a pandemia trouxe férias e não é bem assim. Divirtam-se em casa, fiquem quietinhos. Usem a máscara se forem sair para o médico ou supermercado – apenas saídas extremamente necessárias. Respeitem essa pandemia. Estamos vivendo um momento histórico.

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