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‘Mocinho delicado’, diz Jesuita Barbosa sobre Jove em ‘Pantanal’

Em entrevista a VEJA, ator de 31 anos explica os motivos que fazem o protagonista ser diferente de sua versão original

Por Kelly Miyashiro Atualizado em 1 jul 2022, 18h14 - Publicado em 3 jul 2022, 11h00

Galã fluido e par romântico de Juma (Alanis Guillen) em Pantanal, Jesuita Barbosa conta em entrevista a VEJA que aprova a construção de um Jove diferente da versão interpretada por Marcos Winter na novela original, de 1990, exibida pela extinta Manchete. O ator de 31 anos imprime um protagonista mais retraído e menos irreverente, e diz ter o objetivo de retratar a juventude atual, que teria as mesmas características. Além disso, o filho de José Leôncio (Marcos Palmeira) foge do esterótipo da masculinidade tóxica ao demonstrar suas fraquezas e ser mais delicado do que os galãs convencionais.

Confira a entrevista:

Como é a experiência de interpretar o Jove em Pantanal, sabendo de todo o peso que a novela tem? A história tem um peso, mas também uma sutileza. Não sinto dificuldade em assumir e fazer um papel que já foi retratado antes, porque é uma outra coisa, outro olhar, outra criação, principalmente outra época que a gente vive. Essa novela, apesar de ter uma dramaturgia muito fiel ao que foi nos anos 1990, agora a gente traduz de uma outra forma. O público assiste com um outro olhar também. O Jove parte dessa dramaturgia de um rapaz numa profunda crise existencial, que tem questões delicadas de traumas vividos na infância. Eu acho uma coisa esquisita, mas interessante para esse personagem. Graças a seus pais, Jove já tinha um mundo metade urbano e metade rural, duas vertentes bem diferentes. Ele foi o resultado de uma paixão causada por um choque de realidades, fazendo com que ele passasse por várias crises existenciais. E ele passa pela mesma coisa com a Juma. E eu acho que o mundo se divide junto com a novela.

Você ajudou a construir esse Jove atual com o Bruno Luperi de alguma forma ou foi algo completamente da direção da novela? Porque o personagem parece mais sombrio e sério do que o Marcos Winter foi na primeira versão, de 1990, com um jeito mais descontraído e debochado. Eu não percebo o Jove sombrio, na verdade, porque eu acho que aí a gente vai para um lugar mais do aterrorizante, do medroso, do maldoso. Eu acho que não é por aí. O Jove de agora acompanha a juventude atual, que eu acho mais retraída, ainda que muito mais ativa na comunicação e na tecnologia. Tem uma retração nessa juventude que eu quis colocar ali. Então, ele é um rapaz calado, mais tímido, mais quieto, o que acho uma figura mais próxima dos jovens de agora. A comparação do Jove de agora com o Jove de antes aparece sempre e de todos os personagens da novela toda, né? Mas eu acho que a gente não precisa ficar comparando as coisas, porque sempre que comparamos a gente erra e sempre fica no lugar entre o que é bom e o que não é bom, ou que é ruim. Eu acho que a gente pode encontrar um meio-termo ou uma terceira resposta. Eu não quis imitar ou fazer alguma coisa parecida com o que era na novela antes. 

Você acha que o Jove é mais fluido intencionalmente ou é apenas uma característica involuntária? No sentido de ele fugir do estereótipo galã másculo, mais solto? Por essa fluidez, de liberdade de corpo, eu acho que o Jove se diferencia muito do estereótipo do que a gente teve. Historicamente e eventualmente na teledramaturgia. Acho que tem sempre aquele retrato do homem forte, do homem que não tem delicadeza, do homem que tem uma beleza mais rígida, brutal. Eu acho que colocar um mocinho nesse lugar delicado e completo oposto do que é o par dele, que no caso é a Juma, cria essa espécie de contraste, que é interessante em uma dramaturgia. 

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Você acredita que o final tem de ser feliz entre os dois? Porque é um relacionamento um pouco complexo, né? A gente sabe que o Jove respeita muito a Juma, mas você acha que é válido manter a história de final feliz? Eu acho que finais felizes ficam para contos de fada. Esse drama que a gente tá trabalhando aqui tem uma intensidade maior. É mais intenso do que uma história infantil. Você percebe que as personagens não têm um tempo de serem só boas ou só ruins, eu acho que tem sempre um meio-termo, um contraste dentro de cada persona que dá esse resultado final que, na verdade, eu não sei qual vai ser. Eu mesmo não sei qual é o final, se é um final feliz ou triste, porque varia muito o que é felicidade no fim das contas. A gente nasce e já começa a oxidar e morrer. Eu acho que a gente tem que ser feliz ainda que as coisas sejam difíceis. Eu gosto de felicidade, prefiro ser feliz, mas eu gosto da intensidade das coisas também e às vezes não são fáceis, não é fácil quando se é intenso.

Comparando com os seus antigos trabalhos, você sentiu alguma dificuldade em viver um galã de novela das 9 pela primeira vez? Qual foi seu maior desafio nesse trabalho? Eu não senti uma dificuldade comparada a outros trabalhos, cada trabalho tem uma questão específica, um tamanho. O que eu senti nessa novela foi uma leveza de poder trabalhar com pessoas que eu estou admirando muito, eu tenho muita felicidade de encontrar Alanis Guillen, Marcos Palmeira, Dira Paes. São pessoas que eu já tinha trabalhado antes, Marcos e Dira, mas Alanis, não. Alanis foi uma surpresa, ao perceber uma menina tão jovem e tão forte, tão inteligente. Eu fico é feliz assim, porque a gente tem um projeto com uma possibilidade de criação junto ao autor, à dramaturgia, à encenação, que antes eu não tinha experimentado. Eu tô bem feliz aqui.

Dá para sentir que o clima é bem descontraído nos bastidores. A gente cria família quando faz um projeto desse, ainda mais quando a gente fica isolado, que a parte mais mais gostosa assim de entender intimidade e liberdade. Eu acho que a gente se fez família aqui, um cuidando do outro.

Sei que você é uma pessoa mais reservada nas redes sociais, mas você tem acompanhado a repercussão da novela no Twitter e Instagram? Como tem recebido os elogios e críticas? Olha, eu não acompanho Twitter. Eu tenho minhas críticas e meus elogios à novela também, como todo mundo, e eu prefiro gostar das coisas. Eu tendo a gostar das coisas porque a gente tem uma rede muito odiosa de olhares e acho que a gente precisa também se desfazer disso, porque senão a gente fica em função desse ódio. Então eu prefiro gostar, eu gosto de gostar. 

Você é uma pessoa avessa ao ódio e às críticas que habitam as redes sociais, certo? Até porque sabemos que por lá tem mais ódio do que críticas, na prática. Pois é, que bom que você percebe assim também, porque acho que é uma vontade de impressionar as pessoas e acaba que isso fica perigoso também. Quando a gente trata não só de ficção e entretenimento, mas de política também, né? Quando a gente vai para um lugar violento e sempre muito gratuito e mentiroso, a gente entende aí para um governo também dessa forma. Espero que esse ano a gente consiga reverter isso.

A novela tem atingido muito um público jovem, principalmente homens jovens, mas também homens adultos que estão voltando a assistir novela. Por que você acha que isso está acontecendo? Acho que o público masculino tá muito movido ao feminino. O público masculino está dentro da casa da mãe, mora com a mãe, ou com a avó, ou com a esposa, ou com os filhos. E essas pessoas estão assistindo. Temos mais é que unir essa essa coisa do que dividir. Acho que as pessoas se interessaram pela história como um todo porque é uma história boa, fabulosa e simples, no mesmo sentido que ela é rica. Acho que as pessoas estavam precisando de uma história assim, por isso que Pantanal deu certo. 

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