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‘Friends’: cinco piadas da sitcom que não pegam bem hoje

Das tiradas gordofóbicas com Monica a momentos de masculinidade tóxica de Ross, alguns expedientes da série não sobreviveram ao crivo do tempo

Por Tamara Nassif 2 jul 2021, 10h31

Desde que a Netflix anunciou uma debandada de produções da Warner Bros. do catálogo ao final de 2020, a ausência de uma em especial foi dolorosamente sentida nas redes: Friendssitcom de sucesso sem precedentes desde a estreia, em 1994. A chegada da HBO Max ao Brasil, nesta terça-feira 29, marcou o fim da seca para os nostálgicos. Mas, enquanto muitos comemoram, outros tantos reviram os olhos. Apesar de tocar em temas importantes antes com pouco espaço nas telas, como casamento gay e barriga de aluguel, algumas piadas do sexteto Monica, Rachel, Phoebe, Ross, Chandler e Joey não sobreviveram ao crivo do tempo – afinal, já se passaram 17 anos desde a exibição do episódio final. De gordofobia a masculinidade frágil, confira cinco situações de Friends que não seriam aceitáveis na TV hoje:

Piadas com o sobrepeso de Monica

Cena flashback de 'Friends', com Rachel (Jennifer Aniston) e Monica (Courtney Cox)
Cena flashback de ‘Friends’, com Rachel (Jennifer Aniston) e Monica (Courtney Cox) Reprodução/Warner Bros

Em todas as dez temporadas da sitcom, episódios que voltam no tempo não são incomuns – e quase sempre retratam os personagens de forma caricata, quer seja pelo nariz pré-plástica de Rachel, quer seja pela banda de Ross ao teclado. A mais recorrente satiriza  o sobrepeso de Monica na adolescência, que vira-e-mexe aparece nos roteiros como alívio cômico. “Eu cresci com a Monica. Se você não comesse rápido, você não comia!”, diz Ross sobre a irmã em certo momento. Em um flashback, a personagem ouve de Chandler que era gorda demais para ficar com ele, o que a faz emagrecer muitos quilos no período de um ano como vingança. Hoje em dia, as piadas seriam enquadradas como gordofobia e não arrancariam risadas de audiências mais conscientes.

Relacionamento entre Rachel e Tag, seu secretário

Cena do momento em que Rachel entrevista Tag, na série 'Friends'
Cena do momento em que Rachel entrevista Tag, na série ‘Friends’ Reprodução/Warner Bros

Assim que é promovida, Rachel dá um importante passo na carreira e contrata um secretário para ajudá-la nas tarefas do dia a dia. Duas opções são dadas a ela: Hilda, uma senhora capacitada com currículo impecável, e Tag, um rapaz bonitão sem experiência. Rachel opta por Hilda em um primeiro momento, mas muda de ideia quando se vê atraída pelo jovem e decide, então, tê-lo como seu subordinado, mesmo sabendo que um relacionamento entre eles não seria viável. É claro que eventualmente eles ficam juntos e contrariam as regras da empresa, poucas horas depois de Tag terminar um relacionamento de longa data. O que era considerado inofensivo na época, e até um pouco cômico, hoje já acenderia o sinal amarelo de suspeita de assédio e abuso de poder: quando se trata de hierarquia trabalhista, é possível que subordinados engatem romances com seus superiores por medo de demissão. Também são exemplos de relacionamentos inapropriados o de Monica com Richard, um homem que provavelmente cuidou dela enquanto bebê, o de Ross com Elizabeth, sua aluna universitária, e o de Phoebe e Malcolm, stalker de sua irmã gêmea.

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As inquietações homofóbicas de Ross

Ross (David Schwimmer) tenta convencer Ben a trocar a boneca Barbie por um soldado, na série 'Friends'
Ross (David Schwimmer) tenta convencer Ben a trocar a boneca Barbie por um soldado, na série ‘Friends’ Reprodução/Warner Bros

Para as audiências de hoje, Ross é o campeão da masculinidade frágil. Com seu primeiro filho, Ben, o paleontólogo ficou atordoado com o fato do pequeno brincar com uma boneca Barbie e tentou convencê-lo a trocar por uma miniatura de um soldado militar. Com a filha Emma, se recusou a deixá-la sob os cuidados de Sandy, um sensível e capacitado homem heterossexual que trabalhava como babá e tido por Ross como gay. Os dois casos ilustram a percepção do personagem quanto a objetos e profissões vinculados ao mundo feminino: ao reagir de forma frontalmente contrária, pensa que são ameaças à virilidade masculina. Os machões de hoje que se cuidem.

Falas sexistas dos rapazes

A nova colega de quarto de Joey, Janine Lecroix (Elle Macpherson), em cena de 'Friends'
A nova colega de quarto de Joey, Janine Lecroix (Elle Macpherson), em cena de ‘Friends’ Reprodução/Warner Bros

Embora a frase de Joey “how you doing?” (“como vai você?”, dito de forma galante) seja um dos mais adorados bordões da série, o comportamento dos rapazes é frequentemente associado à objetificação das mulheres. Em um dado momento, Ross faz uma pergunta retórica: “Joey, homens são legais com desconhecidas por algum motivo?” Ao que ele responde: “Só para transar com elas.” Em outro episódio, sua bela colega de quarto dá uma festa com as amigas, colegas de profissão (ela é bailarina), e Ross e Joey arquitetam planos para enganar as moças para que durmam com eles. Chandler, em outro momento, confessa ter terminado o relacionamento com uma garota por ela ter engordado. A lista de piadas sexistas vai longe – felizmente, a sociedade já avançou o bastante para entender que brincar com isso não é muito bacana.

O tratamento inapropriado ao pai trans de Chandler

A atriz Kathleen Turner como o pai transformista de Chandler, na série 'Friends'
A atriz Kathleen Turner como o pai transformista de Chandler, na série ‘Friends’ Reprodução/Warner Bros

Apesar de Friends ter sido uma das primeiras séries de sucesso a apresentar um personagem aberta e orgulhosamente LGBT, o impacto pode não ter sido positivo na vida real. Interpretado pela atriz Kathleen Turner, o pai de Chandler, Charles Bing, era transformista e tinha um show em Las Vegas no qual se apresentava com o nome artístico Helena Handbasket – situação propícia para a chuva de piadas homofóbicas que recai em sua figura ao longo da série. “Você não está meio velha para usar um vestido como esse?”, pergunta o pai de Chandler a ex-esposa, Nora, ao que ela responde: “Você não tem pênis demais para usar um vestido como esse?” Além das falas problemáticas, a sitcom também cria confusão entre drag queens e mulheres trans – recentemente, a criadora Marta Kauffman até comentou sobre essas situações de LGBTfobia e disse se arrepender: “Acho que não tínhamos conhecimento sobre pessoas trans naquela época, não usamos os termos adequados.”

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