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Diretora de ‘Lindinhas’ defende filme: ‘Precisamos proteger as crianças’

Cineasta afirma que produção da Netflix, acusada de sexualizar crianças e atacada até pela ministra Damares, retrata uma realidade que ela experimentou

Por Raquel Carneiro Atualizado em 15 set 2020, 11h08 - Publicado em 15 set 2020, 10h51

Antes mesmo de ser lançado na Netflix, o filme Lindinhas (Mignonnes no original, em francês) se viu em um fogo cruzado de acusações relacionadas a seu trailer e fotos de divulgação, que traziam imagens de garotas entre 11 e 12 anos com roupas curtas e poses sugestivas. Apesar da boa estreia no Festival de Sundance, o longa foi acusado de sexualizar crianças. A chance de ver o filme completo na plataforma só atiçou ainda mais os críticos. Nesta segunda-feira, 14, a ministra Damares Alves entrou na história, afirmando nas redes sociais que “não ficará de braços cruzados”, prometendo uma cruzada contra o longa.

Também na segunda-feira, no Festival de Toronto, a diretora de Lindinhas, a franco-senegalesa Maïmouna Doucoure, defendeu a produção, dizendo que ela “luta a mesma luta” dos críticos. “Eu vi tantas situações e problemas ao meu redor quando era criança, que decidi fazer esse filme como um alerta, para dizer: temos que proteger nossas crianças”, disse ela em coletiva de imprensa no evento.

Na trama, uma garota de origem senegalesa e muçulmana, de 11 anos de idade, se rebela contra as tradições e proibições de sua família e entra para um grupo de dança de adolescentes, no qual a sexualização precoce é parte da realidade social – uma realidade, aliás, não muito distante de um país como o Brasil, em que uma banda como É o Tchan marcou o crescimento de várias crianças.

Logo no início, a protagonista se vê em duas situações que evidenciam a mensagem do filme. Levada pela mãe a uma reunião de muçulmanas, a garota escuta que mulheres serão maioria no inferno, por serem pecadoras que exibem seus corpos. Por isso, precisam ficar sempre atentas, e bem cobertas. A menina em seguida vê, na lavanderia do prédio, uma garota de sua idade, de roupas diminutas, dançando e alisando o cabelo com o ferro. A cena desperta nela o desejo de ter a mesma liberdade. Dali em diante, ela se verá entre as duas realidades extremas: de um lado, a repressão; do outro, a liberdade sem atenção adequada de adultos.

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“É um filme ousado. E a ideia é fomentar um debate e tentar encontrar soluções. É um problema real”, disse a diretora. A Netflix divulgou um comunicado à imprensa internacional, afirmando que o filme é um “comentário social contra a sexualização precoce de crianças. Trata-se de um filme poderoso sobre a pressão que crianças sofrem na sociedade das redes sociais para crescerem rápido – encorajamos todos que se importam com este assunto a assistir ao filme”.

“A polêmica começou com o cartaz”, diz a diretora, sobre o material de divulgação da Netflix, que levou a um pedido de desculpas da própria plataforma, antes de tirá-lo do ar. “Para mim, o mais importante é que as pessoas vejam o filme e entendam que estamos lutando a mesma luta.”

O embate, porém, continua. No Twitter, a campanha “Cancelem a Netflix” cresceu nos Estados Unidos logo após o lançamento do filme. Uma petição online contra a produção ultrapassou 650 000 assinaturas. E congressistas conservadores americanos entraram na briga, condenando a produção.

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